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fevereiro 10, 2004

DR/Capítulo 14 - Mangu 

A vida de quem trabalha em agências de viagens é porreira. “Não sei quê, tive agora uma semaninha em Loret a aturar os putos do secundário na viagem de finalistas, e tal e coiso. Pá e agora tive de vir para aqui pá, e tal, ver como é que tá a correr a dos putos da universidade. Epá não apetecia nada agora uma semana em punta cana, pá, ter de tar aqui pá. Fogo pá!”

It’s a dirty job but someone has got to do it. E muito empenhados no seu trabalho lá estiveram os gaijos da agência de viagens. Se tivermos em conta que quando chegámos éramos o único grupo de lisboa, e éramos só 10 e que só mais tarde chegou outro grupo de odivelas, percebemos logo a importância dos três gaijos da agência ali. E era de facto muito importante eles estarem ali. Era importante para eles. É a altura em que os seus egos enchem desmesuradamente. Porque ali são sempre estrangeiros, são sempre cobiçados, são os supostos machos latinos com papel, isto independentemente de serem baixos, gordos, carecas e broncos.

Os nossos gaijos da agência não eram exactamente assim, mas também não andavam muito longe. E até foi bom eles estarem lá. Se não fosse o nosso queridíssimo Fernando (que nos ia provocando um ataque cardíaco, primeiro quando demorou a nos receber na FIL e ainda nos passou um grupo de leiria à frente, depois quando nos liga a dizer que a viagem tinha sido cancelada – tudo coisas que não se fazem) não teríamos tido coragem para ir até à discoteca do hotel vizinho. Os gaijos do Porto já tinham sido assaltados e nós não távamos para arriscar. Então lá fomos com o xôr Fernando. Ora o xôr Fernando é, quanto a mim, aquele tipo de pessoa que, pela maneira como fala, não dá para acreditar em nenhuma palavra que diz. Tinha aquele ar gingão, de quem acha que sabe o que diz e o que faz e que é muita bom. Naquele caso era, de facto, o único ali que sabia para onde estava a ir e com o que é que tinha de ter cuidado, ali em plena república dominicana, de noite e sem a protecção dos muros do hotel. Mas também não era preciso que cada vez que passava ou passávamos por alguém que oferecia marijuana ele gritasse, com todo o ar de “deixem que eu sei o que tou a fazer”, Obrigado, já temos!!!

Obrigado, já temos?! Mas o que é isto? Quê, agora que eles pensam que nós temos marijuana já não nos vão chatear mais e ainda vão pensar que somos uns gandas malucos, muita porreiros? Uau!! Este gaijo percebe disto, não sei se já vos tinha dito.

Se sair dos portões do hotel já era como entrar num mundo à parte. Sair dos portões do hotel para entrar na Mangu era o cúmulo do surreal. A Mangu meus amigos?! A Mangu é aquele tipo de discoteca onde tu até podes querer ir uma vez ou outra, mas onde não queres que ninguém te veja. Nós entrámos e demos de caras com um ambiente pesado, ou melhor suado. Uma decoração com uns neons estranhos, muito vapor no meio da pista, muito dominicano agarrado a bifas estrangeiras e muita dominicana atracada a bifos estrangeiros, além de muita dominicana atracada a muito dominicano. Entrámos um a um e a partir daí andámos sempre em bloco, para não nos perdermos e para ninguém se meter connosco. Mesmo assim não foi possível evitar que alguns olhares recaíssem sobre nós e pior ainda que um bacano me perguntasse se eu era do Chile. Aonde é que eu tenho cara de chilena, alguém me diz? Não muito à vontade, continuámos a dançar mais um bocadinho, o bocadinho que nos foi possível, embora a música fosse consideravelmente melhor. Mas sempre com a mesma ideia em mente: quando é que nos vamos embora mesmo?

fevereiro 08, 2004

DR/Capítulo 13 - Eu prometo!!  

Se há pessoas que mudam um pouco com viagens intercontinentais, há pessoas que nunca mudam, onde quer que se encontrem. É o caso do nosso amigo paulo. Inconfundível e igual a si próprio (porque o paulo nunca poderia ser igual a mais ninguém), ele quase que merece um capitulo só pra ele.

O paulo dos mails comprometedores. O paulo que ia sendo expulso da turma por abaixo-assinado. Que fez perder a paciência a muito básico. O paulo conselheiro de vestuário da nita. O paulo das toilletes, uma para cada dia/noite na república. Que deu cabo do stock de copos, pires e chávenas do senhor agostinho. Que inventou esse maravilhoso conceito de fotos cara a caras. O paulo – furor entre as senhoras de meia-idade. Esse paulo deu-nos a honra da sua companhia nesta viagem.

Durante a viagem de oito horas foi bebendo whisky a trás de whisky (talvez para compensar a falta do seu cachorrinho). Admira-me muito que não se tenha feito mais às hospedeiras, mas passou bastante tempo a pedir um beijo às colegas do lado. Chegámos a punta cana com ele já bastante animado. Depois do check in, da confusão das trocas de quarto e do fim de tarde na piscina – “olhem pra mim a dar um mergulho!!” – o paulo fez birra na hora do jantar. Nós continuamos a achar que era só manha e que na verdade ele tinha era sono. Depois do jantar aquilo passou-lhe, passou-lhe tudo, de resto, até à nova bebedeira do final do dia. Vê-lo deitado com o ricardio no chão do corredor, ouvi-lo pedir para o ricardio não morrer e levá-lo até ao quarto porque eles não se lembram do caminho foram tudo cenas imperdíveis. Mas isto seria apenas uma pequena parte do que o nosso amigo nos reservava.

Na primeira noite foi o ricardo que apanhou a maior tosga. Mas na noite seguinte foi o paulo que, depois de ter vomitado no quarto, protagonizou a melhor sessão de fotos indoor da viagem. Sempre cara a caras! E era tudo escusado porque ele podia perfeitamente ter voltado para o quarto mais cedo, como fez o pedro. Porque o pedro é que é inteligente. O pedro não é um básico, e se decide que prefere ir para o quarto, vai para o quarto e não tem de dar satisfações a ninguém. Mas o paulo não fez isso, por isso é que ele parece um básico… Não ele é um Básico!! E foi por isso que no segundo dia de viagem ele já estava a dizer “eu prometo que não volto a beber!!” Mas atenção, o eu prometo é já uma instituição, com a qual não é bonito gozar. Além disso o eu prometo tem que ser dito com os dois braços lado a lado com o tronco, ligeiramente esticados, ligeiramente reflectidos. O apelo era muito forte e o que prometeu não cumpriu e ainda bem.

DR/Capítulo 12 - Strange things happen  

Coisas estranhas acontecem quando vamos de viagem. Não sei bem mas parece que o facto de sairmos de casa tem um efeito especial em nós. Um dos efeitos mais flagrantes desta viagem foi a incapacidade geral de dizer coisas com sentido. A quantidade de bacuradas que fomos dizendo ao longo da semana foi assustadora, e para isto nem era preciso estar sob o efeito do álcool. Deve ter sido de qualquer coisa que eles põem na água. Senão vejam…

Muito brilhantemente houve quem procurasse tirar a “água do sal”, ou quem confundisse “camarão com bacalhau” (onde é que já se viu, depois tínhamos os dominicanos a dizer “Batatas com camarão” em vez de “Batatas com bacalau” e perdia-se toda a mística dos portugueses). Houve quem dissesse que o macho da melga era o melgo, e que os animaizinhos que se faziam passear por todo o hotel, incluindo a varanda do nosso quarto, eram pivões (em vez de pavões). Coisas de quem não vê o National Geografic, pois claro. Além do National Geografic também havia quem não tomasse grande atenção ao nome de outros programas da nossa televisão e confundisse o Santa Casa, com Super Santa Casa. É uma mistura de Santa Casa, com Roda dos Milhões, Big Show SIC e Super Pai. Houve que se referisse a sabe-se lá o quê como a água de relvar… “Ah, isso é da água de relvar!”. Água de relvar? Mas o que é que esta gente andou a tomar?

Numa alusão à vidinha triste na escs, sem ritmo e sem música, a nita queria ir "dançar na mesa de scooter"mas estava-lhe a "doer as pornas"e já não foi. ai ai!

Durante a viagem à ilha saona, de volta ao hotel no autocarro, um dos pontos de conversa (nos intervalos da cantoria) foram os portugueses com sucesso na vizinha Espanha. Como seria de esperar as duas grandes figuras referidas foram o Figo e Saramago. Estávamos a comparar a situação dos dois quando alguém disse “…sim, mas o Figo é Português!”. Os minutos seguintes teriam sido de silêncio e de reflexão sobre o que tinha acabado de suceder, se não nos tivéssemos escangalhado todos a rir. Sim, porque o Figo é português e o Saramago é…então o Saramago…o Saramago… também!

Toda a gente sabe falar espanhol, porque toda a gente sabe que para isso basta acrescentar uns is e ios às palavras (é necessário ter em atenção a quantidade de is e ios que se utilizam e entoação que se dá às palavras, para não correr o risco de começar a falar russo, que todos sabem é muito parecido com o espanhol). Neste tipo de viagens, no entanto, há sempre quem insista em falar o idioma, mesmo que com isso perca horas a tentar que os outros o percebem, quando o melhor mesmo era pedir logo o que quer em português porque assim eles percebem.

O colega ricardo passou a ser o colega ricardio. Primeiro porque é assim que se diz em espanhol e depois porque ele não achava muita piada à utilização dos is e ios, principalmente no seu nome. Duas razões mais que válidas para o tratarmos por ricardio, sempre! Basicamente ele já não podia ouvir ise iosà sua volta, mas mesmo isso não evitou que ele cede-se às evidências e ainda o ouvimos perguntar umas quantas vezes “Onde é o quartio?”. Mas coitadinho, como todos os outros, ele também já não dava uma para a caixa,muito conhecedor de desportos aquáticos foi ele que disse que “O barco vai a empurrar o pára-quedas”.

Mais podia ser pior, podia dar-lhe para as divagações filosóficas. Tanto sitio bom para filosofar e o autor do mítico “oh Ricardo, não morras!!” tinha de vir com a conversa do tempo e do espaço que se cruzam. Acho que ninguém percebeu muito bem em que altura da viagem de avião é que “o tempo e o espaço cruzam-se”.

A assertividade não é o meu forte (mas já tou melhorzinha obrigada). Quer dizereu não sei muito bem né?!...mas acho que sim…talvez…quer dizer, depende…se calhar não, se calhar não sou mesmo muito assertiva. Esta aparente falta de certezas foi elevada ao expoente máximo, muita vez disse eu se calhar isto e se calhar aquilo. Mas não fui só eu. A inês bateu o recorde de utilização da palavra “assim” numa frase. E mais que isso, como se tratava da inês, ela conseguiu esta proeza segundos antes de cair de uma cadeira abaixo, num espectáculo mais ou menos aparatoso. Já a xana é mais do género. Se eu tentar explicar, do género, como é que a xana é ou, do género, como é que ela falava quer antes quer durante a viagem ou, do género, como é que ela própria explicaria isto, seria mais ou menos isto que iam ler. Do género, dá pa notar que ela utiliza bastante esta expressão.

Mas há outras coisas que também acontecem e que também são muuuuuito estranhas. Eu já tinha ouvido dizer que as pessoas mudam de comportamento quando vão para viagens de finalistas, tipo, libertam-se. Aquilo que aconteceu com o pedro foi a libertação total. O pedro caracteriza-se entre outras coisas por estar sempre a rir. Tem sempre o seu ar alegre. Além disso quando se ri, ri para dentro. Às vezes ri compulsivamente e parece que vai sufocar, mas não, ele está mesmo só a rir. Acontece que assim que ele pôs os seus pezinhos em solo estrangeiro (ou terá sido logo durante o voo?) começámos a notar algo diferente na forma de rir do pedro. Já não se ria para dentro, muito pelo contrário, agora ria para fora, muito para fora até. Era um novo pedro, sem dúvida!!! Na altura pensámos que a viagem o tinha curado e que nunca mais o iríamos ver a sufocar de tanto rir, mas não, acabou a viagem acabou o efeito punta cana. “Quem te patrocina?”

fevereiro 06, 2004

DR/Capítulo 11 - Isla Saona 

O melhor marketing que se pode utilizar para vender algo é dizer que é obrigatório e que toda a gente faz, isto porque ninguém ia comprar nada só pelo facto de ser uma viagem divertida e de aquilo ser mesmo muito bonito. Mas claro, o obrigatório não é bem obrigatório e logo nem toda a gente o faz. No entanto, no caso da visita à isla saona, bem que deveria ser obrigatória e, já agora estar incluída no preço da viagem. Depois de uma noite intensa um dia em cheio.

Esse dia começou muito cedo. Tínhamos que estar na entrada do hotel às sete da manhã, o que já de si exigia um grande esforço. À boa maneira de quem fica hospedado num hotel no dia anterior pedimos que nos acordassem às tantas horas. Às tantas horas do dia D o telefone do quarto da meninas tocou… do outro lado, num tom irritantemente alegre para aquela hora da manhã, ouvia-se “Buenos Dias! Buenos Dias! Buenos Dias…” Ora aquilo só podia mesmo ser uma gravação, ninguém em seu perfeito juízo teria a capacidade de cantar aquilo, aquela hora e com aquela alegria toda. Depois daquilo, ainda completamente bêbados de sono, lá fomos tomar, não o nosso pequeno almoço porque aquilo que comemos não se comparava aos pequenos almoços que tomámos antes, mas o nosso lanchinho matinal, preparado especialmente para os turistas que iam fazer as chamadas excursõezinhas.

Entrámos no autocarro, desta vez um autocarro a sério, mas que já não era só para nós. ohhhh. Em cerca de 60 lugares, nós os dez éramos os únicos portugueses e os restantes eram todos espanhóis. uhhh Desta vez estávamos em minoria. Nós fomos os primeiros a entrar, ocupámos logo os lugares de trás. Para lá o caminho fez-se mais ou menos bem, basicamente fomos o caminho todo a dormir. Aquela era uma excursão, tão a sério que até tínhamos guia no autocarro. Mas é claro, com a moca de sono com que estávamos todos, portugueses e espanhóis, poucos foram os que conseguiram perceber uma palavra do que ele dizia. Além do aspecto das terreolas pelas quais passámos, casinhas à beira da estrada, do tipo casinha sim, casinha não, barraca sim, barraca sim, barraca não, ainda vimos o caos do trânsito numa das cidades pelas quais passámos e ainda o aspecto de parte do comercio local, especialmente o pormenor das carnes penduradas à beira da estrada (muito provavelmente era daquilo que andávamos a comer).

Fomos ter a Bayahibe, uma pequena localidade piscatória com uma espécie de porto, onde nos esperavam as lanchas rápidas que nos iam levar ao big boat, que nos ia levar à ilha, que nos ia levar… ok esquece. Muita nices as lanchas, de 25 lugares, com dois motores de 250 cavalos cada uma. Digamos que aquilo andava bem. E dava com cada pulo, né susana?? O boat era um big boat e a viagem que íamos fazer era uma big viagem – uma hora e meia, mais coisa menos coisa. Tinha uns três pisos, por assim dizer. No primeiro deck (só palavras caras neste diário, nhanhasse!!) havia uma espécie de sala de estar, que passado um certo tempo se transformou na sala do mal estar (bem! e os trocadilhos?! são do melhor…ou então não!). Já explico!

No deck superior existia um espaço aberto, mas coberto, preparado para o pessoal dançar e que tinha um barzito e um dj sempre a pôr musiquinhas animadas e mexidas. Felizmente também tinha uns banquitos onde podíamos abancar e apreciar as figurinhas que os outros faziam enquanto dançavam, ou simplesmente enjoar calmamente sentados. Porque foi isso que aconteceu a alguns de nós. A mistura de mar mais ou menos agitado, viagem demorada e dança de caribean hits, não combinou com alguns estômagos. Daí a utilidade da salinha do piso inferior. Houve mesmo quem chegasse a virar o barco. Subindo umas escadinhas ias dar a um pequeno terraço no qual ficava também a casa do leme. Era o sítio melhorzinho do barco. Para ir até à ilha fizemos novamente o transbordo (xiii! sou mesmo uma pessoa cultivada) para as lanchas rápidas.



A isla saona é uma ilha deserta onde existe uma reserva e da qual só se tem acesso a um bocadinho de praia e da qual supostamente não podes trazer nada. Entre outros aspectos, tem como particularidade o facto de se situar em pleno mar das caraíbas. Donde!! Estávamos num sítio onde a água era super transparente e a puxar pó quentinha, o que sabia muito bem. Almoçámos na ilha, pousámos para um montão de fotos (sempre cara à caras), junto à água, com o coco que o paulo comprou a um dólar, comemos o coco do paulo e passámos um montão de tempo a tentar explicar ao fotógrafo argentino que em portugal come-se outras coisas, muito melhores até, do que batatas com bacalau, nomeadamente pataniscas. O cómico que é ver um argentino a tentar dizer a simples palavra patanisca.

Back to the lanchas rápidas. Fizemos o percurso de à bocado, de uma hora e meia, em 25 minutos. Aquilo era rápido rápido!! E como nem te dava tempo de pensar que tavas a andar muita rápido e aos saltos sobre a água, também não dava tempo para enjoares. Num instante chegámos às famosas piscinas naturais. A largos metros da costa, com uma paisagem incrível à nossa volta, estávamos em pleno mar das caraíbas, com água transparente e quentinha, pela cintura e pelo peito. Uma óptima oportunidade para dar uns mergulhitos, para beber mais uns copos e claro para tirar mais umas fotos. Numa das fotos, tirada pelo fotógrafo argentino (um tal que andava à procura de uma estrela do mar e que a achou com a susanita) e que compõe a capa do CD do ano, podemos ver 10 malukitos com um ar muito divertido. Na verdade a expressão estampada nos nossos rostos não era só resultado da euforia de estar ali e daquilo tudo ser um máximo. Estávamos mesmo a escangalharmo-nos a rir com as figurinhas do fotógrafo. Ele procurava sempre aprender alguma expressão nova connosco, e depois das pataniscas, estava a tentar dizer o equivalente em português da expressão “Say Cheese!!”. Resultado: “Olha o pexarinho!! Olha o pexarinho!!” Outras fotos de restrito acesso, incluem os três gaijos da turma, dentro de água, aos saltos e com os calções de banho na mão.

Dali ainda fomos até um local com corais fazer mergulho ou lá como é que aquilo se chama. Fomos todos completamente equipados. Na verdade estávamos todos com alto ar de sapo. Óculos, respirador, barbatanas e num ou outro caso colete salva vidas. Ok só num caso com colete salva vidas. Não terá sido bem mergulho, pelo menos para alguns. Tentem mergulhar com um colete vestido a ver se chegam a mergulhar alguma coisa. Bem, pelo menos tinha a vantagem de não ter de estar sempre a dar às barbatanas.

Depois voltámos para o autocarro e para o hotel. Mas desta vez já não estávamos cheios de sono, como de manhã, pelo contrário, depois de um dia daqueles, estávamos com a pica toda. E por isso fomos todo o caminho de regresso a cantar. Ora, nós não cantamos muito bem, nem cantamos muito baixo e, pior ainda, a nossa selecção musical não é das melhores. Logo, os coitados dos espanhóis sofreram um bocadinho nas nossas mãos. Ele era Tony Carreira, ele era Silence4, Romana, Ruth Marlene, Ágata, Carlos Paião, “Atirei o pau ao gato”… Tudo servia para cantar, mesmo sem saber as letras. Eu acho que esse pequeno pormenor era um dos que irritava ainda mais. Havia alguém que se lembrava da música (e era sempre só uma parte da música) e depois cantávamos todos só essa parte da música, talvez mais um bocado, mas nunca passava disso. Cantávamos o refrão duas ou três vezes depois esquecíamos do resto e passávamos logo para outra música. Aquilo durou a viagem toda. A partir de uma certa altura já se notava uma certa tensão entre os espanhóis. Eu acho que eles já não sabiam onde se haviam de meter só para não terem de nos ouvir. A única pausa concreta que ocorreu foi quando fizemos uma pequena paragem numa pequena localidade para fazer umas comprinhas e um xixizinho. Foi só nessa altura que se deixou de ouvir portugueses a cantar dentro do bus. Mas só mesmo porque não havia nenhum português no bus.

De volta ao autocarro, fomos mais uma vez os primeiros a entrar no bus e ocupámos os mesmos lugares de toda a viagem – os últimos do bus. Depois foi ver os espanhóis a entrar e a ocupar os lugares o mais à frente possível. Os últimos a entrar tiveram como castigo sentar-se junto aos portugueses barraqueiros e aguentar mais de perto o concerto de música popular portuguesa. Às tantas, cada vez que parávamos por um bocadinho, porque tínhamos de poupar as gargantas, porque o nosso repertório não era muito vasto e tinha grandes falhas e porque começávamos a ficar fartos de nós mesmos. Não é que os espanhóis agarravam-se ao microgaitas (fictício) e começavam eles a cantar, os abusadores. Houve ali uma altura em que parecia que havia uma certa competiçãozinha, mas tudo muito saudável. Houve até um momento muito do bonito em que nós e os nuetros hermanos cantámos em conjunto Viba España!! (aquela musiquinha típica de circo. Se repararem sempre que se assiste a um espectáculo de circo a música que tocam é sempre esta) Custou-nos um bocadinho ter que estar a cantar e viva a espanha. Toda a gente sabe que não é bem assim. Ainda pra mais fomos nós que demos o mote. Mas tinha de ser, depois de lhes infernizar a viagem tínhamos que mostrar que afinal éramos amiguinhos e que se quiserem podem continuar a pescar nas nossas costas, a exportar para cá a fruta deles e tudo mais. Afinal de contas eles estavam em maioria.

DR/Capítulo 10 - O susto 

Marcámos para o meio da semana o grande jantar pelo qual estávamos todos à espera. O jantar na marisqueira. O jantar que ia pagar a nossa viagem. O jantar no qual íamos comer comer até nos lambuzarmos. Mas era também o jantar no restaurante onde o paulo não podia entrar de calções. Logo naquele dia em que ele ia com aquele conjunto tão catita, seleccionado de entre os vários conjuntos catitas que ele organizou no guarda-fatos do quarto dos meninos.

O dia que antecedeu o jantar foi mais ou menos normal, com a diferença de que alguns dos nossos coleguitas ficaram um bocado mal dispostos. A nitinha por exemplo teve de recorrer aos conselhos sábios de uma senhora de idade empregada do hotel. Nós achamos que a senhora era meio bruxa ou então só daquelas senhoras que têm aqueles conhecimentos profundos e um pouco sobrenaturais sobre males e suas curas. Bastou ela olhar para a pobre nita para perceber exactamente o que ela tinha. Problemas de estômago. E digamos que não era algo que se notasse. Disse-lhe para pedir uma sola amarga e voltar a beber mais tarde, que lhe ia fazer bem. E fez mesmo. Mais tarde voltou a encontrar a nita (há quem diga que foi por caso, mas eu acho que não :)) para confirmar se ela tava mesmo melhor. Foi uma crida! A nita melhorou e o colega ricardio parecia ter melhorado também, mas durante o jantar tivemos a confirmação que não. Depois de perceber que não se tratava de uma brincadeira quase entrámos em pânico. Ok entrámos mesmo em pânico. Aquele sim foi um momento de tensão. O que vale é que o jantar já estava no final, já íamos nas sobremesas e tudo. Mas ricardio, eram sobremesas do melhor, tinham muito bom aspecto e, tirando aqueles que, mesmo naquela pressa, ainda conseguiram dar mais umas colheradas no gelado, já ninguém foi capaz de as comer.

DR/Capítulo 9 - O fecho da discoteca 

E esta m**da é toda nossa, olé!! Em termos de convivência em sociedade pode-se dizer que o Homem é um bicho muito estranho e de grande complexidade. Pela sua capacidade de adaptação a um meio diferente do seu, pela capacidade de apropriação do espaço em seu redor e claro pela capacidade de abandalhar tudo à sua volta. Ora, um dos exemplos mais bem conseguidos a este nível é sem dúvida o Português. Onde vai ele deixa marca, onde está toda a gente sabe da sua presença. O Português é facilmente identificado onde quer que vá, não pelas suas características físicas particulares. Qual bigodinho e ar de pobre, qual pele morena e semblante de macho latino. O português reconhece-se pelo índice de barraqueira que provoca (acho que acabei de inventar um índice). Era por isso que os dominicanos das barraquitas mal nos viam diziam logo, Portugueses, Portuguesses!! Não era só poder de adivinhação, não!! Era mesmo pela barraca que dávamos ao passar. Além disso, sendo portugueses jovens e andando em grupinhos, éramos também imediatamente identificados como um espécime ainda mais característico que é o Português Estudante, conhecidos pela capacidade de levar ao extremo o seu índice de barraqueira e por não terem dinheiro nenhum (daí que adoremos a parte dos regalos).

Naquela altura do ano punta cana está repleta destes exemplares, vêm de todos os pontos do país para as suas viagens de finalistas. É por esta razão que em punta cana não é necessário saber falar espanhol, ou sequer arriscar as figuras ridículas com o portunhol, os dominicanos compreendem perfeitamente a nossa língua (continuam a achar que só comemos batatas com bacalau, mas isso é à parte).

À noite na discoteca era quando se notava mais este domínio do espaço. Nos primeiros dias em que lá estivemos a discoteca estava praticamente por nossa conta. 80% portugueses, 10% espanhóis, e o resto dividido pelas restantes nacionalidades incluindo os dominicanos. Habituadíssimos que as discotecas fechem às 02h30 da manhã os portugueses juntavam-se todos e faziam a festa. Quando as luzes acendiam (tipo o último aviso que aquilo ia fechar, o primeiro era fechar o bar) começava-se a ouvir gritar por Portugal, a gritar olé!!, olé!!, outras expressões tipicamente portuguesas, do tipo Porto!! Porto!! ou SLB!!SLB!!… Glorioso, SLB!!… whatever, e claro o típico E esta m**da é toda nossa, olé!! De vez em quando ainda se ouvia qualquer coisa parecida com España!!España!! mas era logo completamente abafado pelos portugueses. Também se tentou fazer ouvir uns tímidos Sporting!!Sporting!! (que eram nós as quatro) ou um Torreensse!!Torreensse!! (da susanita) mas tal e qual como os espanhóis também fomos logo abafadas. Isto tudo ainda dentro da discoteca, depois passava-se ao momento solene do hino nacional (há sempre algo patriótico nestas viagens, aquilo puxa-nos pó sentimento, não sei) e depois lá íamos saindo para o calor da noite dominicana, sempre a cantar e a gritar frases de ordem. Ou não, ou então não eram bem frases de ordem.

Esta era a melhor altura para conhecer os outros portugueses que também lá estavam. A maior parte era toda do Porto (carágo!!), e digamos que não foi a maior alegria que lhes demos dizer que éramos que Lisboa. Os palhaços preferiam que fossemos espanhóis. Mas também o que é que eles sabem, trocam os bs pelos bs, não podem ter os parafusos todos. Dali, segundo consta, o pessoal juntava-se todo e ia para a praia. Nós separávamos quase todos e íamos dormir. Broncos!! Mas também… esses morcões levam-os pa qualquer lado!!! C*r**ho!!

DR/Capítulo 8 - Não jogo mais!! 

Pode, de facto, parecer um desperdício, uma viagem caríssima e eles passam-na a dormir. Onde é que já se viu!! Mas não era bem assim. Apenas passávamos pelas brasas (e só ocasionalmente) para poder bombar à grande a seguir. E não era só a dormir que ocupávamos o tempo. Numa das noites, depois de jantar, de modo a evitar a pasmaceira e o sono que se abatia sobre as nossas cabeças, juntámo-nos todos para uma cartada. Sim, alguém levou cartas!! E sim, foi o melhor que fizeram, não que a actividade de jogar às cartas seja do mais divertido que existe, mas porque tornou possível o episódio mais dahh!! da viagem.

Quais mentes brilhantes e cheias de originalidade, começámos a jogar ao tão famoso e divertido “Polícia e Ladrão”. Ora o que é que este jogo tem de especial? Nada. É instrutivo? Aprende-se alguma coisa? Não! É um jogo completamente novo e inovador, que todos gostam de jogar? Não! É divertido? O jogo em si, não! Toda a gente sabe jogar? Tem dias. Dá para passar um bom bocado? Pois, mais ou menos. Não se lembraram de mais nada? É pá foi isso…

Então estávamos todos muito entretidos a jogar ao Policia e ao Ladrão. Jogámos um, dois jogos. Pisca o olho daqui, mata alguém dali, olha para este, olha para aquele, o policia apanha o gaijo e pronto tá feito! Depois começa outro jogo. Olha para este, olha para aquele, olha para o outro, olha outra vez para este e para aquele. Esperas que alguém te pisque o olho. Esperas que alguém pisque o olho a alguém. Esperas que alguém morra. Ninguém morre. Ninguém pisca o olho. Isto durante minutos e minutos seguidos. Voltas a olhar para este, depois para aquele. Começas a desconfiar…"Pá matem alguém!!" Mas nada. No meu caso há uma altura em começas a achar piada à coisa. Que boa estratégia. O ladrão não mata ninguém e basicamente estamos aqui todos a olhar uns para os outros com cara de parvo. Que animado! Depois acaba a piada e a coisa começa a fartar. Passado quase meia hora, com o consentimento de todos dá-se fim ao jogo. Eis o momento tão esperado em que se vai descobrir quem é o anormal do ladrão que não dignou a matar ninguém. Eu sei que não era eu. Ok, também não era ele, não era ela, não era ela, não era ela, não era ela (foram só meninas na viagem), também não era ele… então afinal quem era o ladrão?! E foi nessa altura que chegámos à brilhante conclusão que tínhamos estado horas a jogar sem ladrão, porque o Joker tinha ficado colado na carta da xana. Eu tenho duas palavras para este triste episódio: grande dahhh!!!

fevereiro 03, 2004

DR/Capítulo 7 - O dia a dia 

Pequeno-almoço/praia; praia/almoço (na verdade este ainda na praia); almoço/contacto com o mundo exterior = barraquitas e telefonemas para casa; mundo exterior/republica dominicana = piscina/praia; praia/jantar; jantar/voltinha pela praia; praia/discoteca; discoteca/cama; cama/pequeno-almoço.



Isto dito assim até parece chato e entediante, e era, era muito chato. Pois claro!! Os pequenos-almoços já viram como eram. A praia era aquela coisinha enorme, limpa, pouco povoada, com areia branquinha, e água espectacular. Os almoços eram sempre a mesma coisa, muito variados, em grandes quantidades e deliciosos. As piscinas, basicamente uns tanques de água bem tratados e bem decorados. A pequena, quando calhávamos a lá ir, aquilo era basicamente tudo para nós, mas não dava para mergulhar. A piscina grande, era grande. Também não dava para mergulhar, mas era grande. Tinha uma particularidade de algum interesse, que era ter um bar dentro da piscina. Um bar onde tínhamos consumo livre, era só nadar um bocadinho e pedir o que quisesses, estranho não é?!

Isto do consumo livre é deveras interessante. Imagina que pedes uma coisa que nunca provaste, chegas à conclusão que não gostas. O que é que fazes? Pura e simplesmente pedes outra coisa qualquer, até acertar numa bebida que gostes. Agora imagina que gostaste. Podes continuar a pedir, como se não houvesse amanhã, até chegar um ponto em que nunca mais lhe vais puder sentir o cheiro. É claro que no nosso caso isto não se aplicou a álcool, quer dizer, até se pode aplicar, mas no nosso caso não era assim. Podemos jurar que não passávamos os dias a beber. Os dias não!! De dia o que sabia mesmo bem, e que era um sucesso, eram os granizados de tudo e mais alguma coisa. O de fresa era o melhor, digo eu. Tã bom!!! Os jantares eram a mesma coisa que os almoços, só por dizer que não eram junto à praia, a maior parte deles, de resto eram sempre em sítios diferentes, muito contra a nossa vontade (Eu não queria, eu juro que não queria isto assim… Not!!). Depois dos jantares, um passeio pela praia, uns copos no bar do lobby do hotel, uns momentos de descanso nos sofás… o básico.

Ok, eu admito. Houve uma noite que fui dormir um pouco depois do jantar, mas foi perfeitamente justificado. Afinal de contas aquela vidinha também cansa, e depois do jantar dava-nos assim uma moleza estranha. Mas foram só umas horinhas. À meia-noite certas acordámos, fresquíssimos, para ir para a discoteca. Depois na disco era dançar, dançar, dançar, evitar a desidratação e dançar até aquilo fechar.

DR/Capítulo 6 - Mãe!Mãe! Olha o que eu fiz! 

Uma variante das barraquitas era as barraquitas das trancinhas. Pois é! Existe uma espécie de regra instituída. Vais à república dominicana, fazes trancinhas. O que nem é nada de especial, são só trancinhas no cabelo. Pagas uma pipa de massa (ok. Não é uma pipa de massa, mas também não é muito barato. E só se toma consciência que é uma pipa de massa quando já estás em Portugal, longe daquele ambiente mãos largas) e tens alguém agarrado ao teu cabelo a fazer nós por uns minutos. A menos que faças trancinhas ao cabelo todo – só paciência e coragem, porque se não tiveres uma carinha laróca, aquilo não te vai ficar nada bem – elas despacham aquilo num instante. Primeiro correm atrás de ti para fazeres as tranças, se quiseres fazer mesmo tranças ou se não conseguires ceder à pressão, sentam-te depois numa cadeirinha. Separam as mini mini madeixinhas de cabelo para fazer as tranças. Depois besuntam esse bocado de cabelo com uma pasta transparente qualquer. Depois cabelo para aqui, cabelo para ali, fazem a dita trança num abrir e fechar de olhos, por mais comprido que o teu cabelo seja. Por último envolvem a ponta da trança numa prata, enrolam, colocam as bolitas com as cores que escolheste e voilá… sais dali com o cabelo a tilintar/xocalhar.

As senhoras correm mesmo atrás de ti, e se não tiveres para aí virado podem até ser um bocado chatas. Se aceitares fazer as tranças podes, como tudo o resto naquela terra, regatear o preço. Mas o que quer que faças faz à sombra, porque aquilo é rápido mas não é automático. Nós fizemos trancinhas, não todas, nem no cabelo todo. Fizemos cinco pelo preço de quatro, graças à susana. E ficámos todas muuuito mais bonitas.

É mentira, não ficámos mais bonitas, mas ficámos mais sujeitas a queimar o casco se não usássemos chapéu. Bonitas, bonitas ficámos quando resolvemos fazer as nossas tatus. Um belo dia deparámo-nos com as tatuagens temporárias lá no hotel ao pé da piscina. Bora fazer uma tatuagem? Bora! E fomos, fizemos uma tatuagem mas foi só no dia seguinte porque já não estava ali ninguém àquela hora.

Mesmo sendo uma coisa temporária, fazer uma tatuagem requer algum tempo. Primeiro é preciso tempo para pensares onde é que queres fazer a tatuagem, depois é preciso tempo para escolher o desenho da tatuagem que vais fazer, por último e esta é a parte mais chata, quando já decidiste tudo isto e até já fizeste a tatu, precisas de tempo para aquilo secar e puderes ir para a água, e é uma chatisse. Moi même fez uma tatuagem nas costas, lá em baixo no fimzinho das costas. E fiz um desenho de um caractere hindu, que era muito giro mas que não tinha legenda. Donde, basicamente passei duas semanas com qualquer coisa escrita nas costas que eu não faço a mínima ideia o que significava. Aquilo até podia dizer uma asneira qualquer que eu não sabia, mas pronto! A nita fez um golfinho, também muito giro acima da canela. E a susanita fez um cavalo-marinho também na canela. Outra pessoa que também fez uma tatu mas que não saiu bem como ele tava à espera foi o colega ricardio. A intenção era boa, e se aquilo corresse bem ficava muito fixe. Mas aquilo que era suposto ser um pequeno sol no pescoço (um pouco abaixo da orelha) acabou por parecer só um sinal muito grande e estranho.

E então lá andávamos nós com umas trancinhas e uma tatuagem nova. Umas malucas!! Pelo menos era isto que eu estava à espera que a minha mãe pensasse depois de ver a tatuagem e cair para o lado, pensando que era a sério. Isso mas acompanhado de um ataque de histerismo. Ana Margarida o que é que tu fizeste?! Mas não. Em vez do Vou-te esfregar as costas com arame até isso sair! (que exagero!!!), em resposta ao E mãe olha só o que eu fiz!?, ainda no aeroporto, tive apenas um quase E eu tudo bem!!!. Será que se um dia fizer uma mesmo mesmo a sério, sem a desculpa de estar num país longínquo e não saber o que fazer, ela vai ter a mesma reacção?! Deixa cá tentar!

DR/Capítulo 5 - Gigi Amoroso 

Gigi Amoroso (sim, era mesmo esse o nome dele) representa a classe das barraquinhas. Uma das nossas perdições e o nosso contacto com o mundo exterior (quando íamos telefonar íamos às compras). Quer fosse na praia ou no mini shopping center, eles estavam sempre lá. E sabiam sempre que éramos portugueses. Deve haver uma marca distintiva que nos caracteriza, além da falta de dinheiro, e que lhes permite identificar-nos à distância. Portugueses!!!Portuguesas!!!Batatas com bacalau!!!



Gigi era uma personagem muito peculiar, era muito simpático e algo mãos largas. Sim, fez-nos descontos muito porreiros. No último dia em que fomos à barraquinha do Gigi ele disse-nos que tinha de ir visitar a sua vuela, uma senhora de 98 anos, que segundo ele se encontrava doente. Nessa tarde Gigi não foi trabalhar, porque segundo o que nos disseram a sua avó tinha morrido nessa tarde, foi muito triste mas life goes on.

DR/Capítulo 4 - Os Day After 

No dia seguinte acordámos cedinho, mesmo muito cedo, e com grande genica (gosto da palavra). Bom diaaaa!!! Bom dia o caraças!!! São 06:30 da manhã, volta mas é a dormir. Acordávamos quase sempre assim, cedinho. Tão cedo e por nossa livre iniciativa, foi só no primeiro dia. Primeiro porque já não tavamos a fazer nada na cama, depois porque a partir da 06 da manhã estava já um sol e um calor que não se podia e depois principalmente porque nos esperava um pequeno-almoço de reis.

Os pequenos almoços, meus amigos, os pequenos-almoços!! Que pequenos-almoços!! O primeiro foi um choque, pela quantidade de comida e pela variedade. Tá bem que o povo português tem um pequeno-almoço fraquito, com excepção dos copinhos de vinho tinto e aguardente logo de manhã, para começar bem o dia. E ok, os famosos bacon & eggs, a gente ainda aguenta, mas eu pergunto-me como será o resto do dia, em termos de refeições, de pessoas que comem logo de manhã, salsichas cheias de molhos, feijões e batatas guisados, muita gordura, muita cebola e muito refogado, ah e um copinho se sumo de fruta natural, faz xavor, sem açúcar!! O que vale é que havia pequenos-almoços para todos os gostos. A minha selecção: panquecas, duas, regadas com um pouco de mel; talhadas de meloa, uma ou duas, e um batido de fruta feito na hora com as frutas que tu escolheres, todos os dias um diferente. Pausa… dêem-me uns minutos para me recompor. Ai ai!!

O primeiro dia foi básico, quase igual aos outros todos, não fosse o facto de estarmos a ver aquilo tudo pela primeira vez. Logo de manhã, quando fomos para a praia, a primeira vez que púnhamos os pés naquela areia, (pelo menos para a maior parte de nós), voltámos a parecer uns básicos, a rir e aos saltos dentro de água por tudo e por nada. Depois de almoço fomos à procura de um telefone que funcionasse naquela terra. Primeiro e único defeito a apontar ao hotel. De cinco estrelas!!! Era uma confusão incrível para telefonar. Fomos então ao shopping, se é que aquilo se podia chamar assim, que ficava fora do hotel, e digamos que se notava alguma diferença entre república dominicana que existia dentro do hotel e a república fora das paredes do mesmo. Depois de vinte tentativas de marcar números de 55 dígitos, finalmente conseguimos os primeiros contactos com portugal, com as mamãs, os papás e com os gaijos. Seguiu-se a voltinha pelas lojinhas. Ao início só queríamos ver mais ou menos como é que aquilo era, nem levamos muito dinheiro nem nada, mas éramos constantemente bombardeados com convites para entrar nas lojas e com regalos. Os regalos, deixem-me que vos diga, são uma invenção brilhante que devia ser implementada em Portugal. Não que a oferta de regalos nos levasse a comprar fosse o que fosse, mas era do melhor para sair das lojinhas com alguma coisa na mão e sem comprar nada. O que é que a gente havia de fazer eles davam-nos aquilo p’rás mãos, não podíamos simplesmente recusar, né?!

fevereiro 02, 2004

DR/Capítulo 3 - A primeira noite 

A primeira noite em punta cana, essa sim, foi a loucura total. Primeiro o jantar, um abuso de comida, depois o espectáculo organizado pelo hotel. Se não desse para rir daria com certeza para chorar. Aquilo era mau, era muito mau, a única coisa que o safava era a proximidade do bar. Bar aberto. Toda a noite aberto. Todo o dia aberto. Aberto todos os dias. Aqueles espectáculos aconteciam todos os dias, por volta das dez da noite, uns piores, outros que até se aguentavam bem, ok, mais ou menos bem.

Naquela noite, depois do jantar e antes mesmo que o espectáculo terminasse, cada um com o seu copito na mão, fomos tentar descobrir o que é que aquele paraíso nos reservava. Chegámos à discoteca. Estava às escuras, vazia, praticamente fechada. Praticamente, pois mal nos apercebemos que era ali a discoteca fizemos logo o favor de tentar entrar, ou pelo menos tentar perceber porque raio é que aquilo estava fechado. E então entrámos todos só para saber a que horas abria. Acabámos, é claro, por sentar e beber mais umas coisitas do bar. A bem dizer só houve uma coisita que bebemos daquele bar daquela vez. E a bem dizer beber, beber só o ricardio é que bebeu, nós só provámos. Em resposta ao típico “Então o que é que há aqui que se beba?!” ou melhor “Dê-me a bebida mais típica daqui” deram-lhe uma mistura de Barceló Branco (rum) com Mamajuana (o chamado viagra local) e eventualmente um bocadito de seven up ou outra coisa do tipo, só para dizer que sim. Aquilo não era mau de todo, mas também não era algo que se conseguisse beber muito bem, ou melhor, nada bem, mas não para o ricardio, claro, ele obrigou-se a beber até ao fim e bebeu.

Dali fomos até à praia. Quer dizer, a nossa ideia era ir pá praia. Fomos andando por uns caminhos longos e completamente desconhecidos, que não fazíamos ideia para onde iam dar. A gente queria ir para praia, era só esperar que aquele fosse o caminho para lá. E até era. Fomos o caminho todo a rir, por tudo e por nada, principalmente por nada. A nita, que já de si está sempre a rir, por e simplesmente já não conseguia dar dois passos sem parar para rir. Tivemos na praia até à meia-noite, mais coisa, menos coisa. Já estávamos de rastos todos. Em Portugal (tchi!! que longe que estava portugal naquela altura) seriam umas cinco da manhã. Mas tínhamos porque tínhamos de ir à discoteca, mesmo conscientes de que aquilo não iria ser muito bom (a avaliar pela maneira como aquilo estava às onze da noite). Lá fomos, não todos, mas fomos. Quando entrámos aquilo estava a bombar.

Completamente diferente de quando entrámos a primeira vez. Primeiro não estava gelada como ao início, depois já tinha pessoas, não muitas é certo mas já componham o espaço e depois tinha música. Música a sério!! Nem salsa, nem merengue. Quando entrámos estava a começar (que é a parte melhor da música diga-se de passagem) nada mais, nada menos que o Dark Beat do Oscar G. Só a batida ao início. Dark Beat!! O dark beat ouve-se em qualquer discoteca ou qualquer rádio de música de dança em Portugal. Embora estivessem algumas pessoas na discoteca, o certo é que ainda não estava ninguém a dançar na pista. Ainda! Porque assim que entrámos a segunda coisa que fizemos foi saltar para a pista e dançar feitos malucos. Durante algum tempo tivemos o espaço todo para nós.

A primeira coisa que fizemos?! Foram logo virados ao bar, aposto! Estão com certeza já a pensar. Mas não, nós somos muito à frente. Ao bar já tínhamos ido umas horas antes (depois voltámos a ir claro) mas a primeira coisa que fizemos foi mesmo, ir à casa de banho. Há coisas que têm mesmo de ser!!

Bem, quando ouvimos aquela batida!! Afinal a discoteca do hotel era uma discoteca a sério. Depressa percebemos que, sim era a sério, mas alto lá! Ainda estávamos na república, era bom, mas não podia ser muito bom. Era com cada mistura de músicas, e com cada passagem de cair para o lado. Tipo. Tás muito bem, tuntss, tuntss, tuntss (como será que isto se escreve???) a musiquita vai acabando e de repente … o vazio … e só depois e que começa outra, que não tem nada a ver com a anterior. Nem todas as músicas eram nossas conhecidas, mas a maior parte delas até era bem fixe, super ritmadas. Tanto ou tão pouco que eram próprias para se dançar em círculos em volta das pessoas.

Esta agora foi meio private e não havia necessidade. Ainda pensei seriamente se deveria ou não fazer referência ao facto de que quando se dança completamente bêbado em círculos, à volta das pessoas e em espaços que têm pequenos degraus, corre-se o risco de tropeçar e cair. Mas depois pensei “Não, é melhor não. Esta piada já tá meia gasta e tudo.” Mais tarde ou mais cedo toda a gente cai em discotecas, a kilómetros e kilómetros de casa. Teria sido o melhor momento da noite, se ela tivesse acabado logo depois mas não foi bem assim.

É certo que na discoteca não tivemos muito mais tempo. Por volta das duas da manhã, quatro dos seis resistentes, que chegaram a ir à discoteca, acabaram por ir dormir. No caminho para os quartos fomos a comentar: “Bolas, primeira noite em punta cana, na nossa viagem de finalistas e saímos da discoteca às duas da manhã, para ir dormir. Ainda hão de pensar aqueles portugueses são uns fracos. Duas da manhã! Se isto são horas de sair de uma discoteca seja onde for!!” Mas depois lá nos caiu a ervilha. Eram duas da manhã em punta cana, mas nós acordámos em portugal, onde eram já umas sete da manhã. Sete da manhã foi a hora que eu acordei para me preparar para a viagem, ou seja, basicamente estávamos com uma directa em cima, que incluía uma viagem de avião de oito horas, umas horas de piscina, umas horas de discoteca e uns quantos copos a mais. Fracos nós?! Amanhã vão ver!! Vamos ficar na discoteca até às oito da manhã. Mas agora só quero ir dormir! Please!! Mal sabíamos nós que a treta de discoteca fechou por volta das duas e meia, como acontecia, de resto, todas as noites.

Lá nos deitámos, lá tentámos dormir. Tentámos!! Cerca das três da manhã batem à porta do quarto das meninas. Três de nós tínhamo-nos deitado à pouquíssimo tempo. “Estão à espera de alguém?!” Foi a primeira ideia que nos veio à cabeça, depois do sobressalto das pancadas na porta. Mas à espera de quem?! Estávamos em punta cana, a kilometros de casa, era a nossa primeira noite ali, ninguém nos conhecia. Quem é que podia ser? Os outros dois que ficaram na discoteca, claro!! Ao abrir a porta uma imagem impagável: os dois deitados no chão do corredor, um por cima do outro. Deixem-nos entrar!! A gente só quer dizer boa noite. Vá lá!! Embora tenha sido difícil faze-los levantar para entrar, difícil, difícil foi faze-los sair depois do quarto. Xiuuu Primeiro porque houve quem se estatelasse no chão e batesse com a cabeça na mesa-de-cabeceira. Ó ricardo não morras!! E depois… Vá, vocês têm que ir para o vosso quarto.
– Mas nós não sabemos o caminho!! Xiuuu

O que aconteceu depois disso eu não assisti, com muita pena. Mas imaginem… dois gajos bêbados, podres de bêbados, um deles ainda sob efeito da mamajuana, e duas meninas de pijama e chinelos. Às três e meia da manhã, os quatro tic tic tic, pelas ruazinhas do hotel, até ao quarto deles. Não, não aconteceu nada entre estas quatro personagens. Não houve nenhum tipo de trungalhunguisse (se isto custa a ler imaginem o quanto não custa a escrever). A trungalhunguisse ficou marcada para depois, mas não entre estes quatro. Ela vai levar com ele!! NO NARIZ!! Esta última parte já merecia bolinha vermelha no canto, mas deixa. Oito anos?!

fevereiro 01, 2004

DR/Capítulo 2 - Chegada ao Hotel (isto soa a trabalhos de turismo não soa?!) 

Ahhhhhhh o hotel!!! Cinco estrelas, não sei se já vos tinha dito. Bávaro Princess***** All Suites Resort. Para aquele hotel eu tenho quatro palavras:Gosto muito!!!

Era lindo?! As imagens que vemos na televisão, nos filmes, as fotos dos postais, cujo nosso comentário é sempre qualquer coisa do género “Sim claro! Como se aquilo realmente existisse assim.” Meus amigos posso-vos garantir que sim, de facto aquilo é mesmo como nos mostram, com a pequena diferença que se torna muito melhor quando estás lá realmente.

Não fosse o facto de alguns de nós já terem saído do avião um bocado bebidos, a entrada no lobby do hotel seria um óptimo prenúncio do que nos esperava nessa semana. Mal nos encaminharam as malas para os quartos já nos tavam a servir bebidas – Cocktail Bávaro Princess. Tâ bom!!



Depois de conhecer uma boa parte do hotel, só de andar à procura dos quartos (andámos na realidade muito menos do que aquilo que nos pareceu de início, aquilo era enorme!), depois de conhecer os quartos, depois de arrastar as malas todas para trocar de quartos e só depois de nos apercebermos da existência de comboiozinhos articulados que davam a volta ao hotel e que nos poupou longas caminhadas, é que tivemos oportunidade de experimentar a água. Uns foram logo à praia, mas depois juntámo-nos todos na piscina (a piscina pequena do hotel). Parecíamos uns putos, autênticos, com a felicidade estampada no rosto, chapinhámos, pulámos e rimos feitos parvos, e nem era preciso dizer nada, riamos apenas pelo facto de estarmos ali. Estávamos mesmo ali!! Basicamente fizemos figuras de parvos, mas também aquilo era tudo nosso.

DR/Capítulo 1 - A interminável viagem 

No dia 26 de Abril às 11 horas e 30 minutos estávamos finalmente dentro do avião e a oito horas de distância do nosso destino – Punta Cana. Oito horas é muito tempo, especialmente se atendermos ao facto de que não se pode fumar dentro do avião. Não que o tabaco me fizesse falta nessa ocasião, eu até nem fumo, mas passava bem sem o colega ricardio de dois em dois minutos a tentar ver as horas no meu pulso. Além disso temos que ver que a melhor parte do voo é logo no inicio, mesmo antes de descolares (essa parte, do descolar, também é gira deixem-me que vos diga!!). Estou a referir-me, claro está, aquela encenação cómica por parte das hospedeiras. Ah, e claro, ao “Good morning ladies and gentlemens… blá… blá… blá… blá… blá … THANK YOU!!”. Lindo. (estes “blá, blá” não representam algo secante mas antes algo que era completamente imperceptível, mesmo para quem percebe inglês)

Primeiro minuto em Punta Cana – Hot! Hot! Hot! Very Hot!!! Os restantes também foram, mas pronto!

Qual é a desvantagem de seres dos últimos a fazer check-in? Tens que estar um bocadão de tempo à espera na fila. Qual é a vantagem? És dos primeiros a ver a tua mala. A bem dizer, mesmo que sejas dos primeiros no check-in também és dos primeiros a ver a tua mala, ou pelo menos dos primeiros a pensar que estás a ver a tua mala. Isto porque naquela altura todas as malas que tenham a mínima semelhança com a tua, são a tua mala (para ti e para os que estão contigo), e nestes casos qualquer semelhança pode ser apenas o facto de ter o formato de uma mala. Qual é a vantagem de teres colegas teus a fazer o check-in antes de ti (e primeiro que todos os outros)? Não tens que gramar com eles, pelo menos durante o bocadão de tempo em que estás à espera para fazer o teu check-in (brincadeirinha!!). Qual é a desvantagem de teres colegas teus a fazer o check-in antes de ti (e primeiro que todos os outros)? Naquela confusão das malas vais pensar que estás a ver sair a tua mala e vais ver que essa afinal não era a tua mala. Depois de algum tempo vais ver realmente a tua mala a sair (vais dar um enxerto de porrada ao gaijo que estava a pensar estar a ver a sua mala, que não viu que afinal não era e que acabou por tentar tirar a tua mala a pensar que era a dele). Depois vais ver sair as malas de todas as pessoas que iam no teu voo e possivelmente nos voos que chegaram ao mesmo tempo que o teu, vais pensar que estás a ver as malas dos teus colegas e vais ver que afinal não eram. Só depois é que vais pensar que as estás a ver e estás mesmo. Com isto tudo és o último a sair do aeroporto. Ou melhor do protótipo de aeroporto, da cabana de palhotas gigante a que chamam Aeroporto Internacional de Punta Cana. A pista de aterragem alcatroada foi uma conquista recente!

A primeira coisa que vês é o aeroporto e este é feito de palha!! Ok, pode ser. É só muito original mas não há crise! Depois sais do aeroporto à procura do autocarro que te vai levar ao hotel. (O hotel era de cinco estrelas, não sei se já vos tinha dito!) Do monte de autocarros que aguardavam junto à entrada/saída do aeroporto qual é que estava destinado a levar o grupito de 10 malucos ao hotel? (De cinco estrelas) Um mini autocarro, topo de gama em 1960 e qualquer coisa, importado para a República Dominicana já com 30 anos de uso e com um atrelado ainda mais ferrugento que trazia consigo, em letras garrafais, a inscrição “Jesus Te Ama”. Ok, não há crise! Seria muito pouco provável que um autocarro daqueles quisesse dizer que o hotel de cinco estrelas se calhar não era bem de cinco estrelas e que aquilo não ia ser muito bem como estávamos à espera. Mas isto foi só até entrar no buszito. De repente aquela lata velha transformou-se no sítio mais confortável que se podia imaginar. Tinha estofos em pele (pelo menos assim parecia), o ar condicionado no máximo, estava fresquinho, fresquinho (mesmo o que nos fazia falta), e era só para nós os 10, imagine-se!! Um autocarro maravilhoso só para nós.

Pormenores interessantes do autocarro: auto-rádio sintonizado na estação do momento em Punta Cana, que nos permitiu desde logo familiarizarmo-nos com os gostos musicais locais; e duas garrafitas de cerveja, equivalentes locais às nossas minis, junto ao lugar do condutor – vazias!! Ora, só podia ser bom sinal! E confirmou-se que era, assim que o senhor motorista começa a andar, não muito depressa é certo, mas também não muito devagar. Também não era preciso ir depressa para sentirmos medo daquela condução. Era sempre a aviar e sentidos contrários é coisa que não existe para aqueles lados. Felizmente a viagem foi curta e depressa estávamos a passar os portões do hotel.

DR/Introdução 

Devia ter iniciado este pequeno diário logo depois dos acontecimentos aqui relatados terem acontecido, mas o facto é que não tive grande tempo para o fazer. Aqueles que julgam que uma viagem a um local paradisíaco, tipo as caraíbas, é ideal para descansar e relaxar, não estão, por certo, a referir-se a uma viagem de finalistas. Não que a nossa viagem tenha sido a loucura total… até foi, … quer dizer… total, total se calhar não, mas foi uma loucura… ok, uma pequena loucura. Eu já vos conto!

Continuando, uma viagem de finalistas, não só, não serve exactamente para relaxar como, atendendo à altura do ano em que, regra geral, é realizada – digamos que muito antes de nos pudermos gabar de ter concluído o curso – o choque do regresso, especialmente da quantidade de coisas que ainda tens que fazer (sempre tudo para ontem) para realmente acabares o dito curso, é muito grande e esgota qualquer resto de descanso que possa existir no teu corpo. Foi mais ou menos isso que aconteceu, ainda não tínhamos posto as nossas horas de sono em dia já estávamos todos atolados de trabalho. Depois disso pura e simplesmente nunca mais me lembrei.

Mas a viagem em si… ahhhh!! a viagem de finalistas!!!que viagem de finalistas!!! Ponto número um: o destino! ahhh!! o destino!!! Bem, as voltas que demos até nos decidirmos por punta cana e depois as voltas e o sofrimento até conseguirmos assegurar realmente a viagem para punta cana, naquela data e naquele hotel. Ai o hotel!! ainda não vos contei do hotel não é?! Já lá vamos.

Ok. Então tínhamos destino, tínhamos hotel e tínhamos data marcada. Estava tudo certinho até o nosso voo ser cancelado. CANCELADO!! Como cancelado?! Têm consciência do trabalho que dá reprogramar as nossas mentes jovens e completamente obcecadas com a ideia de ir viajar naquele dia, aquela hora?! E os calendários automáticos gigantes que pendurámos nos nossos quartos? Alguém faz ideia do que é reprogramar aquilo?!

Custou um bocadinho mas passou-se. Daí a um tempo já só faltava um mês, e depois só umas semanas, e depois só uns dias, e depois só umas horas…

Diário da República 

Há qualquer coisa sobre as viagens de finalistas que marca qualquer um. A minha (e de mais 9 malucos) foi o máximo e como eu até nem tenho mais que fazer acabei por reporduzir em texto tudo aquilo que era possível ser reproduzido. Ao longo de vários capítulos vão ter oportunidade de conhecer ou recordar as nossas aventuras.

Este diário foi escrito há já algum tempo e não foi pensado para estar on-line, mas prontes já tá, já tá... divirtam-se!! E já agora actualizem-se:Diário da República




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