fevereiro 08, 2004
DR/Capítulo 12 - Strange things happen
Coisas estranhas acontecem quando vamos de viagem. Não sei bem mas parece que o facto de sairmos de casa tem um efeito especial em nós. Um dos efeitos mais flagrantes desta viagem foi a incapacidade geral de dizer coisas com sentido. A quantidade de bacuradas que fomos dizendo ao longo da semana foi assustadora, e para isto nem era preciso estar sob o efeito do álcool. Deve ter sido de qualquer coisa que eles põem na água. Senão vejam…
Muito brilhantemente houve quem procurasse tirar a “água do sal”, ou quem confundisse “camarão com bacalhau” (onde é que já se viu, depois tínhamos os dominicanos a dizer “Batatas com camarão” em vez de “Batatas com bacalau” e perdia-se toda a mística dos portugueses). Houve quem dissesse que o macho da melga era o melgo, e que os animaizinhos que se faziam passear por todo o hotel, incluindo a varanda do nosso quarto, eram pivões (em vez de pavões). Coisas de quem não vê o National Geografic, pois claro. Além do National Geografic também havia quem não tomasse grande atenção ao nome de outros programas da nossa televisão e confundisse o Santa Casa, com Super Santa Casa. É uma mistura de Santa Casa, com Roda dos Milhões, Big Show SIC e Super Pai. Houve que se referisse a sabe-se lá o quê como a água de relvar… “Ah, isso é da água de relvar!”. Água de relvar? Mas o que é que esta gente andou a tomar?
Numa alusão à vidinha triste na escs, sem ritmo e sem música, a nita queria ir "dançar na mesa de scooter"mas estava-lhe a "doer as pornas"e já não foi. ai ai!
Durante a viagem à ilha saona, de volta ao hotel no autocarro, um dos pontos de conversa (nos intervalos da cantoria) foram os portugueses com sucesso na vizinha Espanha. Como seria de esperar as duas grandes figuras referidas foram o Figo e Saramago. Estávamos a comparar a situação dos dois quando alguém disse “…sim, mas o Figo é Português!”. Os minutos seguintes teriam sido de silêncio e de reflexão sobre o que tinha acabado de suceder, se não nos tivéssemos escangalhado todos a rir. Sim, porque o Figo é português e o Saramago é…então o Saramago…o Saramago… também!
Toda a gente sabe falar espanhol, porque toda a gente sabe que para isso basta acrescentar uns is e ios às palavras (é necessário ter em atenção a quantidade de is e ios que se utilizam e entoação que se dá às palavras, para não correr o risco de começar a falar russo, que todos sabem é muito parecido com o espanhol). Neste tipo de viagens, no entanto, há sempre quem insista em falar o idioma, mesmo que com isso perca horas a tentar que os outros o percebem, quando o melhor mesmo era pedir logo o que quer em português porque assim eles percebem.
O colega ricardo passou a ser o colega ricardio. Primeiro porque é assim que se diz em espanhol e depois porque ele não achava muita piada à utilização dos is e ios, principalmente no seu nome. Duas razões mais que válidas para o tratarmos por ricardio, sempre! Basicamente ele já não podia ouvir ise iosà sua volta, mas mesmo isso não evitou que ele cede-se às evidências e ainda o ouvimos perguntar umas quantas vezes “Onde é o quartio?”. Mas coitadinho, como todos os outros, ele também já não dava uma para a caixa,muito conhecedor de desportos aquáticos foi ele que disse que “O barco vai a empurrar o pára-quedas”.
Mais podia ser pior, podia dar-lhe para as divagações filosóficas. Tanto sitio bom para filosofar e o autor do mítico “oh Ricardo, não morras!!” tinha de vir com a conversa do tempo e do espaço que se cruzam. Acho que ninguém percebeu muito bem em que altura da viagem de avião é que “o tempo e o espaço cruzam-se”.
A assertividade não é o meu forte (mas já tou melhorzinha obrigada). Quer dizer… eu não sei muito bem né?!...mas acho que sim…talvez…quer dizer, depende…se calhar não, se calhar não sou mesmo muito assertiva. Esta aparente falta de certezas foi elevada ao expoente máximo, muita vez disse eu se calhar isto e se calhar aquilo. Mas não fui só eu. A inês bateu o recorde de utilização da palavra “assim” numa frase. E mais que isso, como se tratava da inês, ela conseguiu esta proeza segundos antes de cair de uma cadeira abaixo, num espectáculo mais ou menos aparatoso. Já a xana é mais do género. Se eu tentar explicar, do género, como é que a xana é ou, do género, como é que ela falava quer antes quer durante a viagem ou, do género, como é que ela própria explicaria isto, seria mais ou menos isto que iam ler. Do género, dá pa notar que ela utiliza bastante esta expressão.
Mas há outras coisas que também acontecem e que também são muuuuuito estranhas. Eu já tinha ouvido dizer que as pessoas mudam de comportamento quando vão para viagens de finalistas, tipo, libertam-se. Aquilo que aconteceu com o pedro foi a libertação total. O pedro caracteriza-se entre outras coisas por estar sempre a rir. Tem sempre o seu ar alegre. Além disso quando se ri, ri para dentro. Às vezes ri compulsivamente e parece que vai sufocar, mas não, ele está mesmo só a rir. Acontece que assim que ele pôs os seus pezinhos em solo estrangeiro (ou terá sido logo durante o voo?) começámos a notar algo diferente na forma de rir do pedro. Já não se ria para dentro, muito pelo contrário, agora ria para fora, muito para fora até. Era um novo pedro, sem dúvida!!! Na altura pensámos que a viagem o tinha curado e que nunca mais o iríamos ver a sufocar de tanto rir, mas não, acabou a viagem acabou o efeito punta cana. “Quem te patrocina?”
Muito brilhantemente houve quem procurasse tirar a “água do sal”, ou quem confundisse “camarão com bacalhau” (onde é que já se viu, depois tínhamos os dominicanos a dizer “Batatas com camarão” em vez de “Batatas com bacalau” e perdia-se toda a mística dos portugueses). Houve quem dissesse que o macho da melga era o melgo, e que os animaizinhos que se faziam passear por todo o hotel, incluindo a varanda do nosso quarto, eram pivões (em vez de pavões). Coisas de quem não vê o National Geografic, pois claro. Além do National Geografic também havia quem não tomasse grande atenção ao nome de outros programas da nossa televisão e confundisse o Santa Casa, com Super Santa Casa. É uma mistura de Santa Casa, com Roda dos Milhões, Big Show SIC e Super Pai. Houve que se referisse a sabe-se lá o quê como a água de relvar… “Ah, isso é da água de relvar!”. Água de relvar? Mas o que é que esta gente andou a tomar?
Numa alusão à vidinha triste na escs, sem ritmo e sem música, a nita queria ir "dançar na mesa de scooter"mas estava-lhe a "doer as pornas"e já não foi. ai ai!
Durante a viagem à ilha saona, de volta ao hotel no autocarro, um dos pontos de conversa (nos intervalos da cantoria) foram os portugueses com sucesso na vizinha Espanha. Como seria de esperar as duas grandes figuras referidas foram o Figo e Saramago. Estávamos a comparar a situação dos dois quando alguém disse “…sim, mas o Figo é Português!”. Os minutos seguintes teriam sido de silêncio e de reflexão sobre o que tinha acabado de suceder, se não nos tivéssemos escangalhado todos a rir. Sim, porque o Figo é português e o Saramago é…então o Saramago…o Saramago… também!
Toda a gente sabe falar espanhol, porque toda a gente sabe que para isso basta acrescentar uns is e ios às palavras (é necessário ter em atenção a quantidade de is e ios que se utilizam e entoação que se dá às palavras, para não correr o risco de começar a falar russo, que todos sabem é muito parecido com o espanhol). Neste tipo de viagens, no entanto, há sempre quem insista em falar o idioma, mesmo que com isso perca horas a tentar que os outros o percebem, quando o melhor mesmo era pedir logo o que quer em português porque assim eles percebem.
O colega ricardo passou a ser o colega ricardio. Primeiro porque é assim que se diz em espanhol e depois porque ele não achava muita piada à utilização dos is e ios, principalmente no seu nome. Duas razões mais que válidas para o tratarmos por ricardio, sempre! Basicamente ele já não podia ouvir ise iosà sua volta, mas mesmo isso não evitou que ele cede-se às evidências e ainda o ouvimos perguntar umas quantas vezes “Onde é o quartio?”. Mas coitadinho, como todos os outros, ele também já não dava uma para a caixa,muito conhecedor de desportos aquáticos foi ele que disse que “O barco vai a empurrar o pára-quedas”.
Mais podia ser pior, podia dar-lhe para as divagações filosóficas. Tanto sitio bom para filosofar e o autor do mítico “oh Ricardo, não morras!!” tinha de vir com a conversa do tempo e do espaço que se cruzam. Acho que ninguém percebeu muito bem em que altura da viagem de avião é que “o tempo e o espaço cruzam-se”.
A assertividade não é o meu forte (mas já tou melhorzinha obrigada). Quer dizer… eu não sei muito bem né?!...mas acho que sim…talvez…quer dizer, depende…se calhar não, se calhar não sou mesmo muito assertiva. Esta aparente falta de certezas foi elevada ao expoente máximo, muita vez disse eu se calhar isto e se calhar aquilo. Mas não fui só eu. A inês bateu o recorde de utilização da palavra “assim” numa frase. E mais que isso, como se tratava da inês, ela conseguiu esta proeza segundos antes de cair de uma cadeira abaixo, num espectáculo mais ou menos aparatoso. Já a xana é mais do género. Se eu tentar explicar, do género, como é que a xana é ou, do género, como é que ela falava quer antes quer durante a viagem ou, do género, como é que ela própria explicaria isto, seria mais ou menos isto que iam ler. Do género, dá pa notar que ela utiliza bastante esta expressão.
Mas há outras coisas que também acontecem e que também são muuuuuito estranhas. Eu já tinha ouvido dizer que as pessoas mudam de comportamento quando vão para viagens de finalistas, tipo, libertam-se. Aquilo que aconteceu com o pedro foi a libertação total. O pedro caracteriza-se entre outras coisas por estar sempre a rir. Tem sempre o seu ar alegre. Além disso quando se ri, ri para dentro. Às vezes ri compulsivamente e parece que vai sufocar, mas não, ele está mesmo só a rir. Acontece que assim que ele pôs os seus pezinhos em solo estrangeiro (ou terá sido logo durante o voo?) começámos a notar algo diferente na forma de rir do pedro. Já não se ria para dentro, muito pelo contrário, agora ria para fora, muito para fora até. Era um novo pedro, sem dúvida!!! Na altura pensámos que a viagem o tinha curado e que nunca mais o iríamos ver a sufocar de tanto rir, mas não, acabou a viagem acabou o efeito punta cana. “Quem te patrocina?”
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