<$BlogRSDUrl$>

abril 26, 2004

DR/Capítulo 18 - Fim 

“Se fossem apenas dez pessoas numa viagem de finalistas, teria sido apenas mais uma viagem de finalistas”
Mas não foi. Porque eram exactamente aquelas dez pessoas e porque foi a nossa viagem, acabou por ser a viagem de finalistas. E vocês, nita, susanita, inês, susana, xana, joão, paulo, pedro e ricardo, vão estar sempre – SEMPRE!! – ligados a ela e ligados à minha pessoa.

Basicamente tão lixados, primeiro porque tenho os vossos contactos e depois, nem que seja só por voltar a ler isto, nunca mais me esqueço de vocês. Ah, e claro, também tenho fotos comprometedoras de vocês e que apenas por consideração não ficam aqui disponíveis.

DR/Capítulo 17 - De volta 

Como tudo o que é bom acaba depressa, num instante estávamos à briga com as nossas malas para fazer caber tudo aquilo que levámos (que já não foi pouco) e mais o que trouxemos. Era o final de uma semana de sonho e embora estivéssemos todos, obviamente, tristes em ter que sair dali e deixar a boa vida, o certo é que estávamos todos um pouco fartos de estar a sonhar e no fundo até estávamos satisfeitos por acordar e voltar a casa. Isto porque não fazer nada também cansa. Era um sentimento comum, a vontade de chegar logo a casa, contar como foi e como não foi, desfazer as malas, sacudir a areia das coisas e entregar os regalos que trouxemos, juntamente com um montão de histórias para contar. Ainda que não tenhamos visto nem metade de tudo o que havia para ver, uma semana é tempo mais que suficiente para aproveitar bem aquilo. Mais do que isso, as saudades já começavam a apertar e porque nunca se está completamente bem seja lá onde for, começámos a sentir necessidade da confusão, de ter mais coisas para fazer para ontem e acho que até da escs, mas se calhar é abusar um bocado. O facto é que embora estivéssemos todos tristíssimos por ter que regressar e andássemos por ali a dizer adeus à praia, adeus ao quarto, adeus à piscina, adeus ao comboiozinho, adeus aos pivões, às palmeiras, aos pequenos almoços...enfim, dá para perceber... estávamos também eufóricos por ir para casa.



De volta a Lisboa, a viagem foi muito mais calma do que a primeira. Para cá, a viagem foi durante a noite e porque o tempo e o espaço se cruzam num ponto qualquer, que eu ainda não consegui perceber muito bem qual é, e também porque a Terra é redonda e gira sobre si mesma num sentido qualquer que eu também não sei qual é, a viagem de volta foi um bocado mais curta. Deu para mais um filmezito, mais uma encenação cómica das hospedeiras (é sempre muito bom, elas são óptimas a fazer aquilo), mais uma refeição deliciosa e para mais umas maluqueiras entre nós, mas desta vez com menor intensidade, porque já estávamos um bocadinho mais cansados, mas não muito, só um bocadinho grande mesmo. Afinal durante aquela semana só quase não dormimos e só quase não parámos quietinhos um bocado. Ainda assim, houve quem não conseguisse pregar olho durante o voo, ou terá sido ao contrário?! Não, ninguém dormiu muito, acho eu, quer dizer, houve ali uma parte em tava difícil acordar o pedro, mas aquilo não era bem bem dormir.

Um pormenor interessante que só deu para perceber na viagem é que bonés, chapéus ou mesmo só lenços dão muito jeito neste tipo de viagens e que não convém nada apanhar grandes escaldões, porque quando a pele tem de cair, ela tem de cair em todo o lado, incluindo na cabeça e a verdade é que quando se tem o cabelo curto nota-se bem quando a pele da cabeça está a cair. Não é bonito de se ver e digamos que pouca gente associa a escaldões. Estes são os efeitos negativos do sol, os efeitos positivos são... bronzeados descomunais. E isso trouxemos todos. Naturalmente mais branquinhos de pele ou já com tendência para escarumbinhas, voltámos todos com um tom de pele de fazer inveja. Para alguns foi-se tudo com o banho em pouco tempo, mas também houve quem tivesse mantido a corzinha simpática ao longo do verão.

Outra coisa que trouxemos todos em quantidades brutais foram negativos cheios de histórias e prontinhos a revelar. É indecente fazer uma pessoa esperar uma hora que seja para ver no papel aquilo que ela viveu durante uma semana. Depois da viagem aconteceu uma verdadeira corrida às fotografias, que durou meses. Ainda hoje me parece que não tenho as fotos todas que queria e, no entanto, todos temos umas quantas fotos cuja única diferença é o facto de terem sido tiradas por máquinas diferentes. Há qualquer coisa mágica nos nossos mini álbuns (alguns não tão mini) que nos faz olhar para eles vezes sem conta e que ainda hoje, passado um ano, nos atrai como se tivesse íman e nos agarra durante horas. “eu tive ali!” ou “ah, isto foi no sitio tal, e depois ela fez isto, e depois ele disse aquilo, e depois, e e”. Ai,ai!!

É essa magia, bem como uma grande dose de pancada, e muito tempo livre nas mãos que tornou possível que alguém se desse ao trabalho de escrever este diário, que mais parece um tratado. É também essa magia que me faz vibrar a cada palavra escrita e pelo menos a mais nove pessoas.

O local era de facto um espectáculo. Aposto que todos quantos já tiveram o prazer de o pisar, saíram dele com a certeza de voltar um dia. “Deixa-te estar que eu volto”. E é também um facto que o cenário paradisíaco, o calor, a água, o factor estar longe de casa e daquela ser a nossa viagem de finalistas, a modos que pesou e muito para que fosse uma das melhores semanas das nossas vidas, mas tal não seria possível sem as pessoas que fizeram a viagem. Poucos, mas bons. Nós conseguimos a proeza de nos aturar ao longo do ano sem grandes confusões, alguns de nós, até mesmo, ao longo dos quatro anos. O que, atendendo, ao contexto em que estávamos inseridos – escs – é de loucos. Nós conseguimos, de facto, fizemos acontecer e tornámos as coisas possíveis.

abril 18, 2004

DR/Capítulo 16 - Dá-me água que tengo calor 

Este é o capítulo das pequenas coisas. Daqueles pequenos nadas que nos escaparam da memória mas que de vez em quando, quando menos esperamos, surgem do nada e nos enchem de saudade e nos fazem soltar gargalhadas que mais ninguém percebe.

Eu pergunto-vos, como esquecer o som ensurdecedor dos cocos a cair no chão?! Como esquecer as voltinhas de mini comboio?! E as fotos à emplastro tiradas nos mesmos?! Ou o péssimo sentido de orientação de todos para chegarmos à praia nas primeiras noites?! Vai pá praia?!

Como? Como, esquecer que podíamos todos estar agora a repetir o quarto ano e a fazer a mesma viagem este ano, porque podíamos muito bem ter chumbado todos nas frequências de 1º e 2º semestre, devido ao simples facto de não conseguirmos pensar em mais nada? Durante o 1º semestre eram os prognósticos do que iria acontecer. Parvoíces atrás de parvoíces, só superadas por aquelas que realmente aconteceram. Por mais projecções que fizéssemos nada do que podíamos imaginar superava o facto de estarmos mesmo ali a viver aquilo. E se alguém tem capacidade de imaginar coisas, que por mais absurdas que sejam, têm sempre uma pontinha de realidade que as torna possível, somos nós.

E agora que já passou, a minha pergunta em relação a isto tudo é “E os italianos, onde raio é que estavam os italianos?!”. Enchem as nossas mentes jovens e inocentes de histórias e depois comé?!

Foram horas na conversa nas mesas do -1, no bar, nas aulas, nas longas horas de suposto estudo e reflexão antes dos exames. Horas a bater perna no Colombo, de olho na roupa de verão, com camisolas de lã e gola alta vestidas. 12 graus na rua e umas malucas a experimentar biquinis, a comprar chinelos de praia e protector solar. Tudo gente doida! Era sempre muito divertido e, no entanto, havia sempre um trabalho qualquer importante (sempre para ontem) que devíamos estar a fazer em vez daquilo. ups!

Como não ter saudades das aulas de merengue logo pela manhã e sob um sol abrasador, daqueles que dão direito a insolações e escaldões no couro cabeludo? O merengue é uma dança surpreendentemente simples. Aquilo é aparentemente fácil de dançar, mas primeiro que lhe apanhes o jeito... Primeiro aprendes os passos básicos e, se tiveres essa sorte, a coisa até vai bem. Depois passa-se à segunda fase que já envolve rodopios e voltinhas, e então aí tem-se o caldo entornado outra vez. A vantagem é que a dançar na praia se tropeçares podes culpar a areia, além disso, à partida, estamos todos descalços e por isso não existem grandes problemas com pisadas, a menos, é claro, que te calhe um par pouco familiarizado com corta unhas, mas é melhor não entrar por aí. A melhor parte destas aulinhas acontecia quando chegávamos ao chamado EDC – Estado de Desidratação Crónico, que tinha, obrigatoriamente, de ser solucionado com uma corrida até à água, seguida de um ganda mergulho. Isto da desidratação era um problema sério, mas que já não se colocava quando fazíamos aulas de aerobica, porque estas acabavam, por si mesmo e invariavelmente, dentro de água, na praia ou na piscina.

Como esquecer as mini lições de aeróbica?! Como?! Para dizer a verdade acho que só fomos a uma ou duas aulas, mas pronto. E como não ter saudades do instrutor negão de tudo e mais alguma coisa?! Aquele sim o senhor dos sete ofícios. Mas claro, só os sete ofícios que se possam fazer sem tshirt. Foi com as aulas dele que aprendemos a contar até quatro em quase todos os idiomas. Mas só até quatro!!

Numa dessas manhãs, uma dessas aulinhas transformou-se numa prova de equipas. Duas equipas, os Mamajuana e os Viagra – basicamente tinham o mesmo nome mas um é em estrangeiro – tinham pela frente uma prova de esforço durissíma. Cada elemento da equipa tinha de correr largos metros...três ou quatro..., contornar uma das cadeiras de praia, estrategicamente colocadas na areia, e depois tinham – peço atenção para esta parte, este era o momento mais importante da prova – tinham de rebentar um balão com o traseiro. Também podia ser feito com as unhas, para quem se quisesse poupar do embaraço de estar quase aos saltos em cima de um balão. Não é bonito de se ver, acreditem. Ficas ali aos saltinhos com o balão debaixo de ti e aquilo não há meio de rebentar. Concluído este passo importantíssimo o elemento da equipa corria os vários metros de volta e passava o “testemunho”, batendo na mão de outro elemento.

O jogo começou bem, mas passados uns minutos era visível que a nossa equipa, os grandes Viagra, estava em desvantagem. É claro que esse pormenor foi rapidamente ultrapassado quando chegou a vez do Paulo fazer a sua prova. Segundo o suposto “arbitro” ele avançou sem ter sido tocado pelo colega de equipa, o que, segundo alguns pontos de vista, pode ser considerado como batota. Por isso o jogo voltou ao início e, muito convenientemente, desta forma ficámos par a par com a outra equipa (uns fracos, se me permitem que dê opinião) e pudemos assim comprovar a nossa superioridade ganhando a prova. Supostamente aquilo até dava direito a um prémio, do tipo, um diploma de participação ou uma garrafita de rum, e esse prémio, supostamente, seria entregue no intervalo do espectáculo dessa noite, mas só supostamente porque nenhum de nós esteve interessado em receber nada e muito menos assistir outra vez aquele espectáculo de variedades.

DR/Capítulo 15 - WC Pato 

Mesmo que restassem algumas dúvidas, mesmo após oito horas de viagem, sobre o facto de estarmos do outro lado do mundo (ok, era só do outro lado do Atlântico, mas era num mundo à parte), algumas horas de contacto com aquela nova realidade bastaram para que tomássemos consciência desse pormenor. Aquele era mesmo um mundo à parte e o mais curioso foi que um dos aspectos mais comentados incidia, justamente, sobre a divisão dos quartos, à partida, com menos interesse. Aliás este foi o tema de conversa do primeiro jantar, sim porque português que se preze não desenvolve uma conversa que seja sem passar pelo tema casa de banho. Então não é, que do outro lado do mundo, além das escalas e medidas de voltagem diferentes, da moeda, da língua e tudo e tudo, as sanitas têm água até ao cimo. É verdade, têm muito mais água do que estamos habituados por estas bandas e quando eu digo mais água, é muito, mas muito mais água. Logo, até puxares o autocolismo, tudo aquilo que lá fazes fica muuuito próximo... de ti!Ugh!!

Não é, de facto, o melhor tema de conversa para se ter, especialmente ao jantar, mas aquilo afectou-nos bastante. Acho até que houve quem não dormisse descansado nessa noite. Havia sempre aquela imagem mental...splash!!

This page is powered by Blogger. Isn't yours?