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fevereiro 06, 2004

DR/Capítulo 9 - O fecho da discoteca 

E esta m**da é toda nossa, olé!! Em termos de convivência em sociedade pode-se dizer que o Homem é um bicho muito estranho e de grande complexidade. Pela sua capacidade de adaptação a um meio diferente do seu, pela capacidade de apropriação do espaço em seu redor e claro pela capacidade de abandalhar tudo à sua volta. Ora, um dos exemplos mais bem conseguidos a este nível é sem dúvida o Português. Onde vai ele deixa marca, onde está toda a gente sabe da sua presença. O Português é facilmente identificado onde quer que vá, não pelas suas características físicas particulares. Qual bigodinho e ar de pobre, qual pele morena e semblante de macho latino. O português reconhece-se pelo índice de barraqueira que provoca (acho que acabei de inventar um índice). Era por isso que os dominicanos das barraquitas mal nos viam diziam logo, Portugueses, Portuguesses!! Não era só poder de adivinhação, não!! Era mesmo pela barraca que dávamos ao passar. Além disso, sendo portugueses jovens e andando em grupinhos, éramos também imediatamente identificados como um espécime ainda mais característico que é o Português Estudante, conhecidos pela capacidade de levar ao extremo o seu índice de barraqueira e por não terem dinheiro nenhum (daí que adoremos a parte dos regalos).

Naquela altura do ano punta cana está repleta destes exemplares, vêm de todos os pontos do país para as suas viagens de finalistas. É por esta razão que em punta cana não é necessário saber falar espanhol, ou sequer arriscar as figuras ridículas com o portunhol, os dominicanos compreendem perfeitamente a nossa língua (continuam a achar que só comemos batatas com bacalau, mas isso é à parte).

À noite na discoteca era quando se notava mais este domínio do espaço. Nos primeiros dias em que lá estivemos a discoteca estava praticamente por nossa conta. 80% portugueses, 10% espanhóis, e o resto dividido pelas restantes nacionalidades incluindo os dominicanos. Habituadíssimos que as discotecas fechem às 02h30 da manhã os portugueses juntavam-se todos e faziam a festa. Quando as luzes acendiam (tipo o último aviso que aquilo ia fechar, o primeiro era fechar o bar) começava-se a ouvir gritar por Portugal, a gritar olé!!, olé!!, outras expressões tipicamente portuguesas, do tipo Porto!! Porto!! ou SLB!!SLB!!… Glorioso, SLB!!… whatever, e claro o típico E esta m**da é toda nossa, olé!! De vez em quando ainda se ouvia qualquer coisa parecida com España!!España!! mas era logo completamente abafado pelos portugueses. Também se tentou fazer ouvir uns tímidos Sporting!!Sporting!! (que eram nós as quatro) ou um Torreensse!!Torreensse!! (da susanita) mas tal e qual como os espanhóis também fomos logo abafadas. Isto tudo ainda dentro da discoteca, depois passava-se ao momento solene do hino nacional (há sempre algo patriótico nestas viagens, aquilo puxa-nos pó sentimento, não sei) e depois lá íamos saindo para o calor da noite dominicana, sempre a cantar e a gritar frases de ordem. Ou não, ou então não eram bem frases de ordem.

Esta era a melhor altura para conhecer os outros portugueses que também lá estavam. A maior parte era toda do Porto (carágo!!), e digamos que não foi a maior alegria que lhes demos dizer que éramos que Lisboa. Os palhaços preferiam que fossemos espanhóis. Mas também o que é que eles sabem, trocam os bs pelos bs, não podem ter os parafusos todos. Dali, segundo consta, o pessoal juntava-se todo e ia para a praia. Nós separávamos quase todos e íamos dormir. Broncos!! Mas também… esses morcões levam-os pa qualquer lado!!! C*r**ho!!

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