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fevereiro 02, 2004

DR/Capítulo 3 - A primeira noite 

A primeira noite em punta cana, essa sim, foi a loucura total. Primeiro o jantar, um abuso de comida, depois o espectáculo organizado pelo hotel. Se não desse para rir daria com certeza para chorar. Aquilo era mau, era muito mau, a única coisa que o safava era a proximidade do bar. Bar aberto. Toda a noite aberto. Todo o dia aberto. Aberto todos os dias. Aqueles espectáculos aconteciam todos os dias, por volta das dez da noite, uns piores, outros que até se aguentavam bem, ok, mais ou menos bem.

Naquela noite, depois do jantar e antes mesmo que o espectáculo terminasse, cada um com o seu copito na mão, fomos tentar descobrir o que é que aquele paraíso nos reservava. Chegámos à discoteca. Estava às escuras, vazia, praticamente fechada. Praticamente, pois mal nos apercebemos que era ali a discoteca fizemos logo o favor de tentar entrar, ou pelo menos tentar perceber porque raio é que aquilo estava fechado. E então entrámos todos só para saber a que horas abria. Acabámos, é claro, por sentar e beber mais umas coisitas do bar. A bem dizer só houve uma coisita que bebemos daquele bar daquela vez. E a bem dizer beber, beber só o ricardio é que bebeu, nós só provámos. Em resposta ao típico “Então o que é que há aqui que se beba?!” ou melhor “Dê-me a bebida mais típica daqui” deram-lhe uma mistura de Barceló Branco (rum) com Mamajuana (o chamado viagra local) e eventualmente um bocadito de seven up ou outra coisa do tipo, só para dizer que sim. Aquilo não era mau de todo, mas também não era algo que se conseguisse beber muito bem, ou melhor, nada bem, mas não para o ricardio, claro, ele obrigou-se a beber até ao fim e bebeu.

Dali fomos até à praia. Quer dizer, a nossa ideia era ir pá praia. Fomos andando por uns caminhos longos e completamente desconhecidos, que não fazíamos ideia para onde iam dar. A gente queria ir para praia, era só esperar que aquele fosse o caminho para lá. E até era. Fomos o caminho todo a rir, por tudo e por nada, principalmente por nada. A nita, que já de si está sempre a rir, por e simplesmente já não conseguia dar dois passos sem parar para rir. Tivemos na praia até à meia-noite, mais coisa, menos coisa. Já estávamos de rastos todos. Em Portugal (tchi!! que longe que estava portugal naquela altura) seriam umas cinco da manhã. Mas tínhamos porque tínhamos de ir à discoteca, mesmo conscientes de que aquilo não iria ser muito bom (a avaliar pela maneira como aquilo estava às onze da noite). Lá fomos, não todos, mas fomos. Quando entrámos aquilo estava a bombar.

Completamente diferente de quando entrámos a primeira vez. Primeiro não estava gelada como ao início, depois já tinha pessoas, não muitas é certo mas já componham o espaço e depois tinha música. Música a sério!! Nem salsa, nem merengue. Quando entrámos estava a começar (que é a parte melhor da música diga-se de passagem) nada mais, nada menos que o Dark Beat do Oscar G. Só a batida ao início. Dark Beat!! O dark beat ouve-se em qualquer discoteca ou qualquer rádio de música de dança em Portugal. Embora estivessem algumas pessoas na discoteca, o certo é que ainda não estava ninguém a dançar na pista. Ainda! Porque assim que entrámos a segunda coisa que fizemos foi saltar para a pista e dançar feitos malucos. Durante algum tempo tivemos o espaço todo para nós.

A primeira coisa que fizemos?! Foram logo virados ao bar, aposto! Estão com certeza já a pensar. Mas não, nós somos muito à frente. Ao bar já tínhamos ido umas horas antes (depois voltámos a ir claro) mas a primeira coisa que fizemos foi mesmo, ir à casa de banho. Há coisas que têm mesmo de ser!!

Bem, quando ouvimos aquela batida!! Afinal a discoteca do hotel era uma discoteca a sério. Depressa percebemos que, sim era a sério, mas alto lá! Ainda estávamos na república, era bom, mas não podia ser muito bom. Era com cada mistura de músicas, e com cada passagem de cair para o lado. Tipo. Tás muito bem, tuntss, tuntss, tuntss (como será que isto se escreve???) a musiquita vai acabando e de repente … o vazio … e só depois e que começa outra, que não tem nada a ver com a anterior. Nem todas as músicas eram nossas conhecidas, mas a maior parte delas até era bem fixe, super ritmadas. Tanto ou tão pouco que eram próprias para se dançar em círculos em volta das pessoas.

Esta agora foi meio private e não havia necessidade. Ainda pensei seriamente se deveria ou não fazer referência ao facto de que quando se dança completamente bêbado em círculos, à volta das pessoas e em espaços que têm pequenos degraus, corre-se o risco de tropeçar e cair. Mas depois pensei “Não, é melhor não. Esta piada já tá meia gasta e tudo.” Mais tarde ou mais cedo toda a gente cai em discotecas, a kilómetros e kilómetros de casa. Teria sido o melhor momento da noite, se ela tivesse acabado logo depois mas não foi bem assim.

É certo que na discoteca não tivemos muito mais tempo. Por volta das duas da manhã, quatro dos seis resistentes, que chegaram a ir à discoteca, acabaram por ir dormir. No caminho para os quartos fomos a comentar: “Bolas, primeira noite em punta cana, na nossa viagem de finalistas e saímos da discoteca às duas da manhã, para ir dormir. Ainda hão de pensar aqueles portugueses são uns fracos. Duas da manhã! Se isto são horas de sair de uma discoteca seja onde for!!” Mas depois lá nos caiu a ervilha. Eram duas da manhã em punta cana, mas nós acordámos em portugal, onde eram já umas sete da manhã. Sete da manhã foi a hora que eu acordei para me preparar para a viagem, ou seja, basicamente estávamos com uma directa em cima, que incluía uma viagem de avião de oito horas, umas horas de piscina, umas horas de discoteca e uns quantos copos a mais. Fracos nós?! Amanhã vão ver!! Vamos ficar na discoteca até às oito da manhã. Mas agora só quero ir dormir! Please!! Mal sabíamos nós que a treta de discoteca fechou por volta das duas e meia, como acontecia, de resto, todas as noites.

Lá nos deitámos, lá tentámos dormir. Tentámos!! Cerca das três da manhã batem à porta do quarto das meninas. Três de nós tínhamo-nos deitado à pouquíssimo tempo. “Estão à espera de alguém?!” Foi a primeira ideia que nos veio à cabeça, depois do sobressalto das pancadas na porta. Mas à espera de quem?! Estávamos em punta cana, a kilometros de casa, era a nossa primeira noite ali, ninguém nos conhecia. Quem é que podia ser? Os outros dois que ficaram na discoteca, claro!! Ao abrir a porta uma imagem impagável: os dois deitados no chão do corredor, um por cima do outro. Deixem-nos entrar!! A gente só quer dizer boa noite. Vá lá!! Embora tenha sido difícil faze-los levantar para entrar, difícil, difícil foi faze-los sair depois do quarto. Xiuuu Primeiro porque houve quem se estatelasse no chão e batesse com a cabeça na mesa-de-cabeceira. Ó ricardo não morras!! E depois… Vá, vocês têm que ir para o vosso quarto.
– Mas nós não sabemos o caminho!! Xiuuu

O que aconteceu depois disso eu não assisti, com muita pena. Mas imaginem… dois gajos bêbados, podres de bêbados, um deles ainda sob efeito da mamajuana, e duas meninas de pijama e chinelos. Às três e meia da manhã, os quatro tic tic tic, pelas ruazinhas do hotel, até ao quarto deles. Não, não aconteceu nada entre estas quatro personagens. Não houve nenhum tipo de trungalhunguisse (se isto custa a ler imaginem o quanto não custa a escrever). A trungalhunguisse ficou marcada para depois, mas não entre estes quatro. Ela vai levar com ele!! NO NARIZ!! Esta última parte já merecia bolinha vermelha no canto, mas deixa. Oito anos?!

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