abril 26, 2004
DR/Capítulo 17 - De volta
Como tudo o que é bom acaba depressa, num instante estávamos à briga com as nossas malas para fazer caber tudo aquilo que levámos (que já não foi pouco) e mais o que trouxemos. Era o final de uma semana de sonho e embora estivéssemos todos, obviamente, tristes em ter que sair dali e deixar a boa vida, o certo é que estávamos todos um pouco fartos de estar a sonhar e no fundo até estávamos satisfeitos por acordar e voltar a casa. Isto porque não fazer nada também cansa. Era um sentimento comum, a vontade de chegar logo a casa, contar como foi e como não foi, desfazer as malas, sacudir a areia das coisas e entregar os regalos que trouxemos, juntamente com um montão de histórias para contar. Ainda que não tenhamos visto nem metade de tudo o que havia para ver, uma semana é tempo mais que suficiente para aproveitar bem aquilo. Mais do que isso, as saudades já começavam a apertar e porque nunca se está completamente bem seja lá onde for, começámos a sentir necessidade da confusão, de ter mais coisas para fazer para ontem e acho que até da escs, mas se calhar é abusar um bocado. O facto é que embora estivéssemos todos tristíssimos por ter que regressar e andássemos por ali a dizer adeus à praia, adeus ao quarto, adeus à piscina, adeus ao comboiozinho, adeus aos pivões, às palmeiras, aos pequenos almoços...enfim, dá para perceber... estávamos também eufóricos por ir para casa.
De volta a Lisboa, a viagem foi muito mais calma do que a primeira. Para cá, a viagem foi durante a noite e porque o tempo e o espaço se cruzam num ponto qualquer, que eu ainda não consegui perceber muito bem qual é, e também porque a Terra é redonda e gira sobre si mesma num sentido qualquer que eu também não sei qual é, a viagem de volta foi um bocado mais curta. Deu para mais um filmezito, mais uma encenação cómica das hospedeiras (é sempre muito bom, elas são óptimas a fazer aquilo), mais uma refeição deliciosa e para mais umas maluqueiras entre nós, mas desta vez com menor intensidade, porque já estávamos um bocadinho mais cansados, mas não muito, só um bocadinho grande mesmo. Afinal durante aquela semana só quase não dormimos e só quase não parámos quietinhos um bocado. Ainda assim, houve quem não conseguisse pregar olho durante o voo, ou terá sido ao contrário?! Não, ninguém dormiu muito, acho eu, quer dizer, houve ali uma parte em tava difícil acordar o pedro, mas aquilo não era bem bem dormir.
Um pormenor interessante que só deu para perceber na viagem é que bonés, chapéus ou mesmo só lenços dão muito jeito neste tipo de viagens e que não convém nada apanhar grandes escaldões, porque quando a pele tem de cair, ela tem de cair em todo o lado, incluindo na cabeça e a verdade é que quando se tem o cabelo curto nota-se bem quando a pele da cabeça está a cair. Não é bonito de se ver e digamos que pouca gente associa a escaldões. Estes são os efeitos negativos do sol, os efeitos positivos são... bronzeados descomunais. E isso trouxemos todos. Naturalmente mais branquinhos de pele ou já com tendência para escarumbinhas, voltámos todos com um tom de pele de fazer inveja. Para alguns foi-se tudo com o banho em pouco tempo, mas também houve quem tivesse mantido a corzinha simpática ao longo do verão.
Outra coisa que trouxemos todos em quantidades brutais foram negativos cheios de histórias e prontinhos a revelar. É indecente fazer uma pessoa esperar uma hora que seja para ver no papel aquilo que ela viveu durante uma semana. Depois da viagem aconteceu uma verdadeira corrida às fotografias, que durou meses. Ainda hoje me parece que não tenho as fotos todas que queria e, no entanto, todos temos umas quantas fotos cuja única diferença é o facto de terem sido tiradas por máquinas diferentes. Há qualquer coisa mágica nos nossos mini álbuns (alguns não tão mini) que nos faz olhar para eles vezes sem conta e que ainda hoje, passado um ano, nos atrai como se tivesse íman e nos agarra durante horas. “eu tive ali!” ou “ah, isto foi no sitio tal, e depois ela fez isto, e depois ele disse aquilo, e depois, e e”. Ai,ai!!
É essa magia, bem como uma grande dose de pancada, e muito tempo livre nas mãos que tornou possível que alguém se desse ao trabalho de escrever este diário, que mais parece um tratado. É também essa magia que me faz vibrar a cada palavra escrita e pelo menos a mais nove pessoas.
O local era de facto um espectáculo. Aposto que todos quantos já tiveram o prazer de o pisar, saíram dele com a certeza de voltar um dia. “Deixa-te estar que eu volto”. E é também um facto que o cenário paradisíaco, o calor, a água, o factor estar longe de casa e daquela ser a nossa viagem de finalistas, a modos que pesou e muito para que fosse uma das melhores semanas das nossas vidas, mas tal não seria possível sem as pessoas que fizeram a viagem. Poucos, mas bons. Nós conseguimos a proeza de nos aturar ao longo do ano sem grandes confusões, alguns de nós, até mesmo, ao longo dos quatro anos. O que, atendendo, ao contexto em que estávamos inseridos – escs – é de loucos. Nós conseguimos, de facto, fizemos acontecer e tornámos as coisas possíveis.
De volta a Lisboa, a viagem foi muito mais calma do que a primeira. Para cá, a viagem foi durante a noite e porque o tempo e o espaço se cruzam num ponto qualquer, que eu ainda não consegui perceber muito bem qual é, e também porque a Terra é redonda e gira sobre si mesma num sentido qualquer que eu também não sei qual é, a viagem de volta foi um bocado mais curta. Deu para mais um filmezito, mais uma encenação cómica das hospedeiras (é sempre muito bom, elas são óptimas a fazer aquilo), mais uma refeição deliciosa e para mais umas maluqueiras entre nós, mas desta vez com menor intensidade, porque já estávamos um bocadinho mais cansados, mas não muito, só um bocadinho grande mesmo. Afinal durante aquela semana só quase não dormimos e só quase não parámos quietinhos um bocado. Ainda assim, houve quem não conseguisse pregar olho durante o voo, ou terá sido ao contrário?! Não, ninguém dormiu muito, acho eu, quer dizer, houve ali uma parte em tava difícil acordar o pedro, mas aquilo não era bem bem dormir.
Um pormenor interessante que só deu para perceber na viagem é que bonés, chapéus ou mesmo só lenços dão muito jeito neste tipo de viagens e que não convém nada apanhar grandes escaldões, porque quando a pele tem de cair, ela tem de cair em todo o lado, incluindo na cabeça e a verdade é que quando se tem o cabelo curto nota-se bem quando a pele da cabeça está a cair. Não é bonito de se ver e digamos que pouca gente associa a escaldões. Estes são os efeitos negativos do sol, os efeitos positivos são... bronzeados descomunais. E isso trouxemos todos. Naturalmente mais branquinhos de pele ou já com tendência para escarumbinhas, voltámos todos com um tom de pele de fazer inveja. Para alguns foi-se tudo com o banho em pouco tempo, mas também houve quem tivesse mantido a corzinha simpática ao longo do verão.
Outra coisa que trouxemos todos em quantidades brutais foram negativos cheios de histórias e prontinhos a revelar. É indecente fazer uma pessoa esperar uma hora que seja para ver no papel aquilo que ela viveu durante uma semana. Depois da viagem aconteceu uma verdadeira corrida às fotografias, que durou meses. Ainda hoje me parece que não tenho as fotos todas que queria e, no entanto, todos temos umas quantas fotos cuja única diferença é o facto de terem sido tiradas por máquinas diferentes. Há qualquer coisa mágica nos nossos mini álbuns (alguns não tão mini) que nos faz olhar para eles vezes sem conta e que ainda hoje, passado um ano, nos atrai como se tivesse íman e nos agarra durante horas. “eu tive ali!” ou “ah, isto foi no sitio tal, e depois ela fez isto, e depois ele disse aquilo, e depois, e e”. Ai,ai!!
É essa magia, bem como uma grande dose de pancada, e muito tempo livre nas mãos que tornou possível que alguém se desse ao trabalho de escrever este diário, que mais parece um tratado. É também essa magia que me faz vibrar a cada palavra escrita e pelo menos a mais nove pessoas.
O local era de facto um espectáculo. Aposto que todos quantos já tiveram o prazer de o pisar, saíram dele com a certeza de voltar um dia. “Deixa-te estar que eu volto”. E é também um facto que o cenário paradisíaco, o calor, a água, o factor estar longe de casa e daquela ser a nossa viagem de finalistas, a modos que pesou e muito para que fosse uma das melhores semanas das nossas vidas, mas tal não seria possível sem as pessoas que fizeram a viagem. Poucos, mas bons. Nós conseguimos a proeza de nos aturar ao longo do ano sem grandes confusões, alguns de nós, até mesmo, ao longo dos quatro anos. O que, atendendo, ao contexto em que estávamos inseridos – escs – é de loucos. Nós conseguimos, de facto, fizemos acontecer e tornámos as coisas possíveis.
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