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janeiro 24, 2004

O que uma pessoa faz pa não adormecer!! 

Aula de Sociologia da Comunicação Social
27 de Fevereiro de 2002 . ESCS . sala 2p4


Assistir a aulas de hora e meia pode ser algo muito entediante, daí a taxa de adormecimentos em aulas nas faculadades portuguesas. É que existem professores que tem esta capacidade incrivel de transformar um assunto interessante na maior das secas. É claro que existem sempre formas de contornar a situação. Aqui fica o resultado de uma aula de SCS.

«Já me perdi, prontos já se foi!! Não há muito mais a fazer e pior, se eu estou pr’aqui a escrever, isto então é porque já não estou a apanhar mesmo nada daquilo que a senhora está pr’ali a dizer.

Olha, por acaso não! Mesmo a escrever isto, continuo a ouvir e mais, a perceber, aquilo que ela está a dizer, não tou é a ligar nenhuma, o que é giro! Ela agora está a dizer que o chinês não entende o inglês e vice-versa – “é difícil comunicar!”. Pois pudera!

Isto até tem a sua piada, a sério! (“factores fundamentais” disse ela agora) depois admiro-me que me achem maluca. Pois sou! Agora disseram uma piada sobre o Clone (a telenovela). Está tudo a ouvir, mas a maior parte das pessoas também não está cá. Também estão a pensar em tudo menos nisto. Estão a viajar dentro das suas cabeças. Ao menos eu ainda me entretenho e vou levantando a cabeça, de vez em quando, acenando-a como se tivesse a concordar e a apanhar tudo. Parece bem!

Ora, a que horas é que a aula acaba mesmo?! São 15h25, isto começou às 14h30, acaba às 16h. Está quase!!

Bem, já tou a acabar a folha. Agora já me dispersei deste meu desvio e já tou a voltar a estar mais atenta aquilo que a senhora está pr’ali a dizer. Tchau!!

(…)

Bem, quer dizer, ainda falta meia hora. Já me perdi, já me perdi, não vou voltar agora a apontar aquilo que ela diz. Já me tinha decidido a pedir a aula emprestada muito antes de ter começado a divagar. Até é pena! Logo hoje que o discurso da senhora até nem está a ser muito mau. Continua molinha, é certo. Não é defeito, é feitio. Dá vontade de a agarrar pelos braços e abaná-la para ver se sai qualquer coisa. (que maldade!)

(…)

Estou aqui a escrever mas até estou a ouvir o que ela está a dizer e o pior é que é interessante. Não está a ser maçador. Ok, o facto de não lhe estar a prestar atenção se calhar não demonstra bem isso, mas é verdade. Este tipo de matéria é interessante, juro! Isto é incrível. Estou aqui, estou a ouvir tudo, percebo e até estou a assimilar o que está a ser dito. Até me riu dos comentários que são feitos. Mas no fundo não estou aqui. A minha cabeça está muito longe. (agora está tudo a escrever, porque supostamente aquilo que ela está a dizer agora é importante. Eu também estou a escrever, nada do que ela diz é certo, mas ao menos pareço muito aplicada.)

Qualquer dia publico um livro só com estas reflexões iztupidas e sem razão nenhuma de ser. Só não me parece que vá ter muito sucesso. Acredito que seja muito difícil que alguém (que não seja eu) consiga compreender estas paragens. Se isto for publicado todos aqueles que ainda tinham dúvidas sobre a minha sanidade mental vão deixar de ter.

(…)
A aula está a acabar, vou tomar atenção agora...
(…)

Não dá hipótese. Já não estou cá outra vez. Comecei a corrigir os erros do que acabei de escrever, e ao voltar a ler o que escrevi, comecei a rir sozinha e a pensar na piada que isto vai ter quando, daqui a algum tempo, voltar a pegar nestas folhas…»
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